Jesus Suficiente – Estudo no Evangelho Segundo João

Estarei reunindo aqui os vídeos dos lives do facebook que são feitos geralmente às terças-feiras 19h horário da Bahia em um estudo bíblico sobre a Suficiência de Cristo tomando como base o Evangelho de João.

Parte 1 – INTRODUÇÃO (07/02/2017)
#JesusSuficiente
Para ir direto à mensagem adiante para 27´50″

Parte 2 – O VERBO (14/02/2017)
Seguimos em nosso Estudo #JesusSuficiente, explorando o relato do Evangelho segundo João. Na primeira semana falamos introdutoriamente sobre o Livro em si, sobre o autor e qual o foco exposto por ele a respeito da vida e obra de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.
Hoje começaremos de fato a leitura e estudo propriamente dito com o que se chama de Prólogo Joanino, que é a introdução do evangelho que compreende o capítulo 1 e os versos do 1 ao 34
Dividiremos am algumas partes e a de hoje será: O Verbo
Hoje Leremos e estudaremos João 1.1-4
Se quiser pular o louvor e ir direto à palavra, começa em 30’05” .

Parte 3 – JESUS A LUZ DO MUNDO (21/02/2017)
João 1:5-14 diz: “A luz resplandece nas trevas, e as trevas não prevaleceram contra ela. Houve um homem enviado por Deus cujo nome era João. Este veio como testemunha para que testificasse a respeito da luz, a fim de todos virem a crer por intermédio dele. Ele não era a luz, mas veio para que testificasse da luz, a saber, a verdadeira luz, que, vinda ao mundo, ilumina a todo homem. O Verbo estava no mundo, o mundo foi feito por intermédio dele, mas o mundo não o conheceu. Veio para o que era seu, e os seus não o receberam. Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, a saber, aos que crêem no seu nome; os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus. E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai.”
Obs: Se quiser saltar o louvor e ir direto ao estudo, vá para 27’00”.
#JesusSuficiente

Parte 4 – E O VERBO SE FEZ CARNE (28/02/2017)
João 1:11-15: “Veio para o que era seu, e os seus não o receberam. Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, a saber, aos que crêem no seu nome; os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus. E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai.
João testemunha a respeito dele e exclama: Este é o de quem eu disse: o que vem depois de mim tem, contudo, a primazia, porquanto já existia antes de mim.”
Obs: Se quiser ir direto para a palavra adiante para 27 minutos.
#JesusSuficiente

Parte 5 – Graça + Verdade = Amor (Pt 1) (07/03/2017)
João 1:14-18 “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai. João testemunha a respeito dele e exclama: Este é o de quem eu disse: o que vem depois de mim tem, contudo, a primazia, porquanto já existia antes de mim. Porque todos nós temos recebido da sua plenitude e graça sobre graça.
Porque a lei foi dada por intermédio de Moisés; a graça e a verdade vieram por meio de Jesus Cristo. Ninguém jamais viu a Deus; o Deus unigênito, que está no seio do Pai, é quem o revelou.”
Questões abordadas:
– Se o pecado geraria a morte porque Adão e Eva ficaram vivos depois de comer o fruto?
– Porque a Lei de Deus é boa e santa?
– Como um Deus que é Santo se relaciona com pecadores?
– Uma nação para ensinar o caminho pra outras nações.
– o Monte fumegante e a Lei dada por intermédio de Moisés
Para ir direto para a palavra adiante para 24’20”
#JesusSuficiente

João 1:14-18 “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai. João testemunha a respeito dele e exclama: Este é o de quem eu disse: o que vem depois de mim tem, contudo, a primazia, porquanto já existia antes de mim. Porque todos nós temos recebido da sua plenitude e graça sobre graça.
Porque a lei foi dada por intermédio de Moisés; a graça e a verdade vieram por meio de Jesus Cristo. Ninguém jamais viu a Deus; o Deus unigênito, que está no seio do Pai, é quem o revelou.”
Questões abordadas:
– Verdade sem Graça = religiosidade, intolerância, legalismo, moralismo
– Graça sem verdade = conivência com o pecado, idolatria, graça barata
– Graça + Verdade = amor, cruz, evangelho, Jesus manifesto

JESUS SUFICIENTE

Evangelho de João 1:29
No dia seguinte, viu João a Jesus, que vinha para ele, e disse: Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo!

ALELUIA!

Para ir direto para a palavra adiante até 25’30”

Parte 8 – Jesus e seus Seguidores  (04/-4/2017)
Texto Lido : João 1.35-51
Temas abordados:
– João continua apresentando Jesus como cordeiro de Deus (referência Gn.22.13)
– Os discípulos de João começaram a deixá-lo e a seguir a Jesus (ministério completo)
– Jesus foi acessível, gracioso e interessado por eles (Vinde e Vede João 1.39)
– Levar o Evangelho é levar a Boa Nova em palavra, obras e verdade. (v.40-41)
– O Senhor e quem transforma (Simao passa a ser Cefas Pedro v.42)
– Filipe e Natanael
– V. 51 as revelações de Jesus e o impacto sobre nossa vida.

Confiar

Hoje por sugestão de um dos professores de Maria, assistimos o filme Confiar na Netflix . Um filme muito importante na exposição do tema da pedofilia e abuso infantil pelos chats, jogos online e redes sociais . Recomendamos aos pais e adolescentes com urgência!


Título: Confiar (Trust)

Elenco: Brandon Molale, Catherine Keener, Clive Owen, Jason Clarke, Jordan Trovillion, Liana Liberato, Nicole Forester, Noah Crawford, Noah Emmerich, Viola Davis.

Sinopse: Uma família passa por problemas depois que a filha de 14 anos conhece seu primeiro namorado pela internet. Annie é uma jovem de 14 anos conhece um garoto em um bate-papo na internet, e logo se apaixona por ele. O problema é que, na verdade, o garoto é um homem muito mais velho, que a atrai para um encontro e esse encontro muda para sempre a família.
Veja o Trailer 

Confira “Confiar” na Netflix

Quanto mais vale um homem…?

Ora, quanto mais vale um homem que uma ovelha? Logo, é lícito, nos sábados, fazer o bem. Mateus 12:12

Muito atual essa consideração de Jesus. 
Uma das tendências da sociedade Pós-moderna é a gradativa supervalorização dos animais inclusive equiparando ao valor do homem. As manifestações partem desde críticas mais aceitáveis como comércio ilegal de aves e outras espécies e o maltrato a esses animais, chegando aos extremos da ética vegana. Pela Bíblia vemos o homem com infinito valor além dos animais e de tudo mais criado pois ele é o único ser que carrega a “imago dei”, criado à imagem de Deus. Nesse texto especificamente, vemos o interesse econômico do que o animal pode proporcionar de provisão. 

Observai as aves do céu: não semeiam, não colhem, nem ajuntam em celeiros; contudo, vosso Pai celeste as sustenta. Porventura, não valeis vós muito mais do que as aves? Mateus 6:26

As constantes decepções inerentes às relações humanas tem feito muitos afirmar: “- Quanto mais conheço as pessoas, mais eu amo aos animais…” e coisas assim. A relação com os animais quando extrapola os limites homem x animal, é geralmente fundada em sentimento de ganância, egocentrismo e autosatisfação. Um animal nos desperta em muitos sentimentos bons e eu amo animais, mas posso ver claramente que em boa parte dos casos,  quando há muita devoção e entrega na relação com um animal isso está acontecendo em detrimento de relações ajustadas com outros seres humanos. Ter animais domésticos é bom mas não leva o humano aos confrontos necessários ao desenvolvimento do caráter de amor que Deus quer de nós.  Isso só é possível na relação correspondente humano x humano. 

Se alguém disser: Amo a Deus, e odiar a seu irmão, é mentiroso; pois aquele que não ama a seu irmão, a quem vê, não pode amar a Deus, a quem não vê. 1 João 4:20
Estaria Jesus afirmando que os animais não tem valor nenhum, tampouco as plantas nem o restante da criação? Claro que não! Lidar com a criação com respeito e moderação é um dos pontos cruciais da mordomia humana. O que Jesus questiona é como hoje muitos tem o prazer de gastar com um animal doméstico mais do que um pai de família ganha em um mês de trabalho, e simplesmente olhar pessoas em volta, até mesmo dentro de sua família passando necessidades. O que preocupa é essa tendência do “povo de Gadara” (ver Mt 8.28), que prefere os porcos do que as pessoas, onde bichos sejam tratados como gente e gente sendo tratada como bichos. 

O que vejo questionado por Jesus é: – Como poderíamos ser movidos de misericórdia, ou seja lá pelo que for, para exercer um cuidado por um animal e ignoramos a condição precária de nosso semelhante próximo!? 

Certamente toda essa movimentação pelos “direitos dos animais” tem desdobramentos subliminares de depreciação do valor da vida humana, que podem ser usados por grupos abortistas ou de outros de extermínio em massa. É mata-mata ou Maranata!

Vinte e cinco perguntas para Maria

de Max Lucado


Imagem: Rod Silva 

Quando na Gloria eu encontrar Maria, eis algumas perguntas que farei:

– Como era vê-lo orar?

– Qual era a reação dele quando via outras crianças rindo durante a cerimônia na sinagoga?

– Ao ver um arco-íris, ele alguma vez mencionou um dilúvio?

– Você se sentiu estranha ensinando a ele como ele criou o mundo?

– Ele agia de forma diferente quando via um cordeiro sendo levado ao matadouro? 

– Você alguma vez o viu com um olhar distante, como se escutando alguém que você não conseguia ouvir?

– Como ele agia em enterros?

– Alguma vez passou pela sua mente que o Deus para quem você orava estava dormindo sob o seu teto?

– Você alguma vez tentou contar as estrelas com ele… e conseguiu?

– Ele alguma vez chegou em casa com um olho roxo?

– Como ele reagiu quando teve seu primeiro corte de cabelo?

– Ele teve algum amigo de nome Judas?

– Ele era um bom aluno na escola?

– Você teve que repreendê-lo alguma vez?

– Ele alguma vez teve que fazer uma pergunta sobre as Escrituras?

– O que você acha que ele pensava quando via uma prostituta oferecendo, a quem mais pagasse, o corpo que ele fez?

– Ele alguma vez ficou com raiva quando tratado com desonestidade por alguém?

– Você alguma vez o viu pensativo olhando seu braço ao segurar um bolo de terra?

– Ele alguma vez acordou assustado?

– Quem era o melhor amigo dele?

– Qual a reação dele quando Satanás era mencionado?

– Você alguma vez acidentalmente chamou-o de Pai?

Sobre o que ele e seu primo João conversavam quando crianças?

– Os irmãos e irmãs dele entendiam o que estava acontecendo?

– Você alguma vez pensou “Aquele é Deus, tomando a minha sopa”?

O prezar antes do prazer

Para os solteiros, principalmente.

Cantares de Salomão 2:7 

Conjuro- vos, ó filhas de Jerusalém, pelas gazelas e cervas do campo, que não acordeis, nem desperteis o amor, até que este o queira.

Será que não estamos querendo experimentar o desabrochar da intimidade de toda a vida de um casal em apenas uma noite? 

Um dos grandes erros cometidos pelos solteiros é o de não respeitar os limites estabelecidos pelo criador para os níveis de intimidade em cada fase da vida . A liberdade que nos foi dada por Deus para inclusive extrapolar esses limites, foi inicialmente nos dada para garantir o real desfrute sem os abusos da libertinagem que corrompem os reais prazeres da vida. 
A desobediência as instruções do Criador traz amargas dores na alma, atrasos e falhas estruturais nas construções da vida. 

A intimidade sexual alcança seu pleno favor quando despertada dentro de um pacto público entre um homem e uma mulher de manterem-se unidos em fidelidade e exclusividade suprindo um ao outro para todas as demandas além sexo. 

Cantares de Salomão 2:15

Apanhai-me as raposas, as raposinhas, que devastam os vinhedos, porque as nossas vinhas estão em flor.

Se levarmos uma vida dominada ou regulada pelos nossos desejos nos tornamos altamente influenciáveis e consequentemente caímos no fosso dos vícios e degradação. Nem tudo que o nosso corpo topa, nossa alma também topa. Existem muitas raposas que em sua influência, más conversações, propaganda enganosa, sedução carnal e descomprometida, tentam desvincular o prazer sexual da fidelidade conjugal e familiar, iconizando uma sexualidade que estupra a concepção interior implantada em nós pelo nosso criador a respeito de relacionamento e intimidade.

O vinhedo que está sendo cultivado para a vida toda, as safras e colheitas para cada tempo, o vinho para cada tempo. As raposinhas querem destruir a plantação ainda em flor. Solteirice é fase de amizade e não de sexo. De intimidade de alma e não de corpo. Apesar da entrega da intimidade sexual parecer mais superficial por se tratar de algo físico, em nós humanos criados à imagem e semelhança de Deus, diferente dos animais, trazemos uma série de implicações na alma relacionadas a essa intimidade física e por isso que ela precisa vir dentro de um contexto. 

Considero que os passos a serem dados para os solteiros até a culminância da entrega total envolvendo a intimidade sexual são :

O primeiro amor que deveria ser cultivado é o amor a Deus que é eterno, incondicional e pessoal, não depende da outra pessoa. Ele serve de parâmetro e regulador para todos os tipos de afetividade. É transformador da frigidez, egoísmo, corrupções, obsessões e compulsões que tentam ocupar o lugar do amor sadio. A experiência humana deseja o infinito e o eterno de uma plenitude de satisfação que só pode ser encontrada no relacionamento com Deus. Nem mesmo a experiência conjugal e familiar em toda sua plenitude conseguirá suprir toda nossa demanda. Sem Deus tudo mais se torna insuficiente. 

O segundo é o amor da amizade, do companheirismo. Essa é a fase que deveria ser cultivada pelos solteiros e tem sido solapada pela intimidade sexual antes do casamento. Essa construção é a mais importante para o êxito do relacionamento com no futuro pois é aí que a intimidade mais profunda e permanente começa a se alinhar na vida de ambos.
O terceiro e último é o amor da intimidade sexual que deve ser um ato estritamente conjugal. Sei o quanto é difícil manter-se puro numa cultura tão sexualizada, deturpadora e banalizadora da estrutura original criada por Deus para o sexo. Mas, mesmo assim instigo a você a ouvir o conselho do nosso Criador, a andar na contramão de todo esse sistema e desfrutar da grande maravilha que é viver de acordo com a vontade de Deus! Arrependa-se, busque se ajustar pois nosso Deus é misericordioso e tem o melhor preparado para você.
Apanhe essas raposinhas e cuide do vinhedo. Vinho não irá te faltar para cada estação.
O que Deus quer de vocês é isto: que sejam completamente dedicados a ele e que fiquem livres da imoralidade. Que cada um saiba viver com a sua esposa de um modo que agrade a Deus, com todo o respeito e não com paixões sexuais baixas, como fazem os incrédulos, que não conhecem a Deus. Nesse assunto, que ninguém prejudique o seu irmão, nem desrespeite os seus direitos! Pois, como nós já lhes dissemos e avisamos, o Senhor castigará duramente os que fazem essas coisas. Deus não nos chamou para vivermos na imoralidade, mas para sermos completamente dedicados a ele. Portanto, quem rejeita esse ensinamento não está rejeitando um ser humano, mas a Deus, que dá a vocês o seu Espírito Santo. (1 Tessalonicenses 4:3-8 NTLH)

Caso de vida ou morte.

O que você diz pode salvar ou destruir uma vida; portanto, use bem as suas palavras e você será recompensado. (Provérbios 18:21 NTLH)

Eis aqui uma verdade impressionante de como nossas palavras tem poder! O que dizemos sobre nossas realidades, cônjuges, filhos, pais, situação financeira, emocional gera impacto real sobre os rumos da nossa vida.

Pensem no navio: grande como é, empurrado por ventos fortes, ele é guiado por um pequeno leme e vai aonde o piloto quer. É isto o que acontece com a língua: mesmo pequena, ela se gaba de grandes coisas. Vejam como uma grande floresta pode ser incendiada por uma pequena chama! (Tiago 3:4, 5 NTLH)

Controlar a língua ou o que falamos nem sempre é fácil mas precisamos aprender o mais rápido como alcançar isso pelo poder do Espírito Santo em nós. A raiz do que falamos é o que pensamos e a maneira correta de corrigir nossa linguagem e palavras é deixar o Senhor mudar nosso coração, nossa mente. 

Ninhada de cobras venenosas! Como é que vocês podem dizer coisas boas se são maus? Pois a boca fala do que o coração está cheio. (Mateus 12:34 NT)

Não podemos ser apenas uma reação ao que nos ocorre. Pensamentos ruins, sem reflexão, incoerentes com a palavra e a vontade de Deus gerarão palavras de morte destruição e servirão como uma invocação de males sobre nossas vidas. Pensamentos transformados, embebidos do Espirito Santo, da palavra de Deus, alinhados ao caráter de Cristo produzirão vida pra você e todos que te rodeiam.

Refrear o que se diz é importantíssimo e faz parte do processo mas, sem uma dedicação a uma transformação na maneira de lidar com suas realidades dentro de você, em sua mente, mais cedo ou mais tarde você explodirá em palavras destrutivas. Humilhe-se diante do Senhor, em oração apresente diante dele toda a porcaria que se passa aí dentro de sua cabeça, peça a Ele que transforme sua mente e que te dê poder pra andar e falar pela fé, pelo amor, pela esperança , pelo Espírito.

Paz de Cristo!

Alex, 15 de novembro de 2012

O egoísmo e a família 

O amor é paciente, é benigno; o amor não arde em ciúmes, não se ufana, não se ensoberbece, não se conduz inconvenientemente, não procura os seus interesses, não se exaspera, não se ressente do mal; não se alegra com a injustiça, mas regozija-se com a verdade; tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. 1 Coríntios 13:4-7

Vivemos hoje em um mundo onde o hedonismo (prazer pessoal como bem supremo) e o narcisismo (amor idolátrico pela própria imagem), são estimulados em todos os níveis pra girar a máquina desse sistema maligno operante. As realizações, interesses, prazeres e desejos pessoais vêm antes das relações familiares, antes do desejo e vontade de Deus. Deus, o criador e pai que deveria se visto como o o restaurador da vida e o único capaz de nos salvar de nós mesmos, é colocado como o estraga prazeres da vida, que tudo proíbe. O casamento, maternidade, paternidade e a vida de família são vistos como impedimentos, pois exigem sacrifícios, e são como deixar de aproveitar a vida.

A vida em família é um instrumento poderoso de Deus para nós levar a vencer este egoísmo e crescer no amor. Como temos dito, ao instituir a família, Deus usou o modelo de sua própria imagem na trindade santa. Se queremos ver o exemplo magno desse amor e dessa cooperação perfeita precisamos olhar pra a trindade em toda a sagrada escritura, principalmente no que vemos refletido em Cristo Jesus pelos evangelhos que retratam sua relação com o Pai e o Espírito Santo. 

E qual é a característica do amor na Trindade? Na relação da Trindade uma Pessoa se doa totalmente à Outra. O Pai, o Filho e o Espírito Santo doam-se em plena comunhão entre si . Se olharmos a vida de Jesus poderíamos resumir em amor que doou a si mesmo. Assim Ele ama a Igreja, dando Sua vida por ela. Esse exemplo é citado por Paulo em Efésios 5:25
“Maridos, amai vossa mulher, como também Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela,…” trazendo o mesmo modelo de amor ao contexto familiar. 

Sempre estamos inclinados a nos vermos como as vítimas do egoísmo em vez de culpados. Como uma esposa infeliz dizendo: “Meu marido não mostra nenhum interesse no que eu faço. Tudo que importa a ele é o que ele faz naquele lugar – seja lá onde é – que ele trabalha!” Tal atitude pode descrever-nos mais do que nós queremos admitir. Como o povo de Deus, nós não somos ignorantes a respeito dos dispositivos de Satanás (2 Coríntios 2:11), de como o pecado é enganoso, nem de seu poder cegante. Por isso, por mais remoto e improvável que possa parecer, nós devemos ver a possibilidade de egoísmo nas nossas próprias vidas! Como o filho pródigo, cada um de nós deve cair em si para superar a si mesmo (Lucas 15:17). Como Paulo disse, “Examinai-vos a vós mesmos…” (2 Coríntios 13:5), teste seus motivos com honestidade absoluta pois ninguém pode lidar com um problema que não admita que tenha.

Negar a si mesmo é uma das primeiras lições a ser aprendida pelo seguidor de Cristo (Mateus 16:24). Nada é mais fundamental para a obediência e justiça. Sem isso, nenhum homem pode verdadeiramente amar sua esposa como Cristo amou a igreja (Efésios 5:25). Como o amor de Cristo sacrificou a si mesmo para a igreja, assim deve ser o amor do marido para sua esposa. É um amor que dá sem egoísmo. Sem isso, as esposas não podem ser submissas a seus maridos, assim com ao Senhor (v 22). O mesmo espírito que leva à submissão ao Senhor deve levar à submissão entre o marido e a esposa. Ser o que o Senhor quer que eu seja significa ser o que devo ser com meu cônjuge. O egoísmo, então, é um pecado contra o homem e Deus e, muitas vezes, contra os filhos.

Criar os filhos na disciplina e admoestação do Senhor (Efésios 6:4) envolve negar a si. Por exemplo, criar os filhos para o céu leva tempo e energia. O egoísmo rouba esse tempo precioso de muitos filhos e pais. A verdade é que muitos pais mesmo depois de constituir família, vivem somente para si mesmos para manter seus desfrutes ou um status material, deixando de lado a responsabilidade de revelar Cristo através de suas vidas e exemplo diário. Fora isso, estamos ocupados demais, cansados demais, para falar e responder perguntas, para ler a Bíblia, para orar com eles, para levá-los aos cultos, desligar os dispositivos eletrônicos e assentarem-se em família no nome de Jesus. 

Depois de tantas ocupações “importantes” e a sensação de ter de compensar as ausências, os pais não querem criar nenhum desgaste com os filhos no pouco tempo que resta. Assim, enchem os filhos de gratificações ocupações e entretenimento, evitam qualquer conflito para a construção de caráter e acabam moldando os filhos a viverem o mesmo tipo de vida egoísta que estão vivendo, distantes da vida plena e real em Cristo. 

Ainda pior, acho eu, são aqueles filhos que sofrem porque os pais egoístas dividem e abandonam o lar em vez de negar a si. É quase inimaginável que algumas pessoas negociariam sua boa família pelo prazer próprio; por uma garrafa, por um amante, pelos “bons momentos” muitas vezes escondidos por trás do argumento: “preciso ser feliz”. No entanto, continua a acontecer, até em alguns que alegam ser cristãos. Dessa forma, e de outras até ainda mais sutis, o egoísmo é um grande destruidor de lares. 

Que Deus possa nos ajudar a removê-lo das nossas vidas. Que possamos olhar para Jesus e sermos iluminados.

Alex Cosmo, novembro de 2016

#OficinadaFamíliaAprisco

Martin Lutero – da Liberdade Cristã

“Para conhecermos a fundo o que seja um cristão e sabermos em que consiste a liberdade que Cristo para ele adquiriu e ofertou, de que São Paulo tanto escreve, quero frisar estas duas frases:

Um cristão é senhor livre sobre todas as coisas e não está sujeito a ninguém. 

Um cristão é servidor de todas as coisas e sujeito a todos.

Estas duas frases se encontram claramente em São Paulo I Coríntios 9.19: “Porque, sendo livre de todos, fiz-me escravo de todos…” e adiante em Romanos 13.8: “A ninguém fiqueis devendo coisa alguma, exceto o amor com que vos ameis uns aos outros.”

“Logo, a única obra e única prática dos cristãos deveriam consistir no seguinte: gravar em seu ser a palavra e Cristo, exercitar-se e fortalecer-se sem cessar nesta fé.”

“Os mandamentos nos indicam e ordenam toda classe de boas obras, mas com isso não estão já cumpridos: porque ensinam retamente, mas não auxiliam; instruem acerca do que é preciso fazer, mas não fornecem a força necessária para realizá-lo.(…) aprende o homem, então, a desprezar a sua capacidade e buscar em outra parte auxílio necessário para poder livrar-se da cobiça e cumprir assim o mandamento com ajuda alheia, porque com esforço próprio lhe é impossível.”

“Significa que pela fé a palavra de Deus fará a alma santa, justa, sincera, pacífica, livre e plena de bondade, será, enfim, um verdadeiro filho de Deus, como diz João 1.12: Mas a todos que o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, a saber, aos que crêem no seu nome.

Isto esclarece porque a fé é tão potente e porque não existem boas obras que possam igualar-se a ela. Nenhuma boa obra se atém à palavra divina como a fé, nem há boa obra alguma capaz de morar na alma, unicamente a palavra divina e a fé reinam na alma. Tal como é a palavra, assim se torna a alma à semelhança do ferro que unido ao fogo se torna vermelho incandescente, como o próprio fogo. Vemos assim que a fé é suficiente ao cristão, sem que precise obra alguma para ser justo. De onde se deduz que se não há necessidade de boa obra alguma, é porque também já está desligado de todo mandamento ou lei, e se está desligado disto, será por conseguinte livre.

Eis a liberdade cristã: na fé única que não nos converte em ociosos ou maldosos, antes, em homens que não necessitam obra alguma para obter a justificação e salvação.”

“Quem seria capaz de imaginar a grandeza e a honra de um cristão? Por seu reinado ou soberania, dispõe ele de todas as coisas; por seu sacerdócio, dispõe de Deus, pois Deus obra conforme ao rogo e desejo do cristão(…). Esta honra o cristão recebe só pela fé, jamais pelas obras. Do que foi dito, percebe-se claramente que o cristão é livre de todas as coisas e soberano delas, sem que necessite, portanto, de boa obra alguma para ser justo e salvo. É a fé que dá de tudo em abundância. E se o homem fosse tão insensato de pensar em se tornar justo, livre, salvo ou cristão em virtude das boas obras, perderia sua fé e com ela tudo o mais, tal qual o cão, que trazendo um pedaço de carne na boca, vendo-se refletido na água quis apanhar a carne refletida também. Perdeu, assim, a sua carne e mais a imagem refletida na água.”

“É pois necessário pregar a Cristo de tal forma que da pregação brote em ti e em mim a fé e se mantenha conosco. Uma fé que só nasce e permanece, quando se nos prega a razão porque Cristo veio ao mundo, de que maneira poderemos nos valer dele e de seus benefícios, o que ele nos trouxe e deu. Pregar-se-á, deste modo, quando se interpreta devidamente a liberdade cristã, que recebemos de Cristo; quando se nos diz de que modo somos reis, e sacerdotes, e donos, e senhores de todas as coisas; que Deus se compraz em tudo quanto fazemos e nos atende, como venho afirmando.”

“Ainda que o homem já esteja interiormente(…) bastante justificado e de posse de tudo quanto necessita(…) continua, contudo, na vida corporal e há de governar seu próprio corpo e conviver com seus semelhantes. Aí é que começam as obras.”

“Por conseguinte, o homem obriga seu corpo a não andar ocioso, mas, ao contrário, haverá de realizar muitas obras para submetê-lo. Porém, não são as obras o meio apropriado para aparecer como crente e justo diante de Deus, mas que executarão com puro e livre amor, desinteressadamente, só para agradar a Deus, buscando e olhando, unica e exclusivamente, o que agrada a Deus, à medida que se deseja cumprir sua vontade, o melhor possível.”

“Estas duas sentenças são, por conseguinte, certas:

‘As obras boas e piedosas jamais tornam o homem bom e justo, mas o homem bom e justo realiza obras boas e piedosas.’ ”

“Porque o cristão está desligado de todos os mandamentos e em uso de sua liberdade, tudo quanto faça, o fará voluntária e desinteressadamente, sem buscar nunca seu próprio proveito e sua própria salvação, mas unicamente para agradar a Deus. Pois já estará farto e santificado pela sua fé e graça divina.”

“(…) porque o homem não vive somente com e para seu próprio corpo, mas sim também com os demais homens. Esta é a razão pela qual o homem não pode prescindir das obras no trato com seus semelhantes; antes bem, há de falar e tratar com eles, ainda que ditas obras em nada contribuam para sua própria justificação e salvação. Logo, ao realizar tais obras, terá sua mira posta só em servir e ser útil aos demais, sem pensar em outra coisa que nas necessidades daqueles a cujo serviço deseja colocar-se. Este modo de obrar para os demais é a verdadeira vida do cristão, e a fé atuará com amor e satisfação, como ensina São Paulo aos Gálatas 5.6. (…) Filipenses 2.1ss (…) descreve o apóstolo simples e claramente a vida cristã, uma vida na qual todas as obras atendam ao bem do próximo, já que cada qual possui, com sua fé, tudo quanto para si mesmo precisa e ainda lhe sobram obras e vida suficientes para servir ao próximo com amor desinteressado.”

“O cristão é livre, sim, mas deverá tornar-se de bom grado servo, a fim de ajudar a seu próximo, tratando-o e obrando com ele, como Deus tem feito com ele mesmo por meio de Cristo. E o cristão fará tudo sem esperar recompensa, mas unicamente para agradar a Deus(…). Serei para com meu próximo um cristão, à maneira como Cristo foi comigo, não empreendendo mais que aquilo que meu próximo necesssite, lhe seja proveitoso, salvador; que já possuo todas as coisas em Cristo, pela minha fé.”

Eu te aconselho que, se desejas fazer em legado em benefício da igreja, ou queres orar e jejuar, não o faças pensando em teu próprio proveito, antes, ao contrário, faze-o desinteressadamente, para que os demais o desfrutem e se beneficiem com ele; se assim fizeres, será um verdadeiro cristão. Para que queres reter teus bens e boas obras, que te sobram para cuidar e dominar teu corpo, se já tens bastante com tua fé, na qual Deus te outorgou já todas as coisas? Saberás que os bens de Deus haverão de passar de uns para outros, pertencer a todos, ou seja, cada qual cuidará des eu próximo como de si mesmo.”

“Deduz-se, de tudo isso, que o cristão não vive em si mesmo, mas em Cristo e o próximo. Em Cristo, pela fé, e no próximo, pelo amor. Pela fé o cristão se eleva até Deus e de Deus se curva pelo amor; mas sempre permanece em Deus e no amor divino(…) Eis aí a liberdade verdadeira, espiritual e cristã, que livra o coração de todo o pecado, mandamento e lei. É a liberdade que supera a toda outra liberdade, tal como os céus superam a terra.”

Extratos do livro:

Da Liberdade Cristã

Editora Sinodal

O que foi a Reforma Protestante?


Segue um resumo do que conversamos na escola bíblica do Aprisco Sede e da Agrovila em 30/10/2016. 

Ao compreendermos a história da Igreja Protestante e da Reforma, é importante primeiramente entender que uma das alegações feitas pela Igreja Católica Romana é a da sucessão apostólica. Isto simplesmente significa que eles alegam uma autoridade única sobre todas as igrejas e denominações, fazendo um retrocesso através dos séculos na linha de sucessão dos papas da Igreja Católica, chegando até o Apóstolo Pedro. Na visão que têm os católicos, isto dá a Igreja Católica Romana a singular autoridade que suplanta todas as denominações de igrejas. De acordo com a Enciclopédia Católica, esta sucessão apostólica é somente “encontrada na Igreja Católica” e nenhuma “igreja separada tem qualquer validade de alegar para si este direito.”

É por causa desta sucessão apostólica que a Igreja Católica Romana alega ter a singular autoridade para interpretar as Escrituras e estabelecer doutrinas, assim como ter um supremo líder no papa, que é infalível (livre de erro) quando falando ex cathedra , ou seja, no exercício de sua posição como pastor e mestre de todos os cristãos. Por este motivo, de acordo como a visão católica romana, os ensinamentos e tradições da Igreja Católica Romana, por virem do papa, são igualmente infalíveis e dotadas de autoridade, assim como as próprias Escrituras. Esta é uma das maiores diferenças entre os católicos romanos e os protestantes, e foi uma das razões fundamentais para a Reforma Protestante.

Logicamente os católicos romanos não são os únicos que tentam alegar para si a singular autoridade através da sucessão apostólica, rastreando as raízes de sua igreja até os dias dos primeiros apóstolos. Por exemplo, a Igreja Ortodoxa Oriental também alega sucessão apostólica, sendo esta muito parecida com a visão católica romana. A divisão entre a Igreja Ortodoxa Oriental e o Catolicismo Romano não ocorreu até o “Grande Cisma” em 1054 d.C. (a Igreja Católica Romana ocidental e a Igreja Ortodoxa oriental se separam). Há também algumas denominações protestantes ou grupos que tentarão estabelecer um “Rastreamento de Sangue” que possa ser feito retroativamente através dos séculos até a igreja do primeiro século e aos próprios apóstolos. Apesar destes protestantes não afirmarem a sucessão apostólica para estabelecer a autoridade de um “papa” como um líder infalível, eles, mesmo assim, vêem tal ligação com a igreja primitiva, em pelo menos um pequeno grau, como estabelecendo a autoridade de suas doutrinas e práticas.

O problema com qualquer uma destas tentativas de traçar uma linha de sucessão até os apóstolos no passado, sendo a Igreja Católica Romana, a Ortodoxa Oriental ou Protestante, é que são todas uma tentativa de deduzir ou apoiar a autoridade do que eles crêem e ensinam (de fontes erradas), com alguma conexão real ou percebida com os apóstolos, ao invés de vindas diretamente da Palavra de Deus. É importante para os cristãos compreender que a sucessão apostólica direta não é necessária para que uma igreja ou denominação tenha autoridade. Deus deu e preservou a suprema autoridade para todos os assuntos de fé e prática na Sua Santa Palavra, a Bíblia. Por esta razão, a autoridade de uma determinada denominação de igreja hoje não vem através de um laço qualquer com a igreja do primeiro século ou apóstolos, mas vem somente e diretamente da escrita Palavra de Deus. Os ensinamentos de uma igreja ou denominação têm autoridade e se impõem nos cristãos somente se representam o verdadeiro significado e claro ensinamento das Escrituras. Isto é um ponto importante a chegar quando se trata de compreender a conexão entre Protestantismo e a Igreja Católica Romana, e a razão por que a Reforma Protestante ocorreu. 

Ao se compreender a história do Cristianismo e as alegações de sucessão apostólica, tão bem quanto a alegação da Igreja Católica Romana em ser a única Igreja verdadeira com singular autoridade, é importante que cheguemos a alguns pontos-chave: Primeiro, devemos compreender que mesmo nos dias dos apóstolos e na igreja do primeiro século, falsos mestres e falsos ensinamentos se constituíam em problema significante. Sabemos disto porque encontramos avisos contra heresias e falsos mestres em todos os escritos posteriores do Novo Testamento. O próprio Jesus alertou que estes falsos mestres seriam como “lobos em pele de cordeiro” (Mateus 7:15), e que haveria “joio e trigo” convivendo até o dia do julgamento, quando Ele separaria os salvos dos perdidos, os verdadeiros crentes “renascidos” daqueles que não O receberam verdadeiramente (Mateus 13:24-30). Isto é importante na compreensão da história da igreja, pois desde quase o começo falsos mestres e falsos ensinamentos invadiram a igreja, desviando as pessoas do caminho correto. Mas apesar disto, sempre houve também os verdadeiros crentes “renascidos”, que através de todas as gerações, mesmo nos períodos mais negros da idade das trevas, se agarraram firmemente às doutrinas bíblicas de salvação apenas pela graça, através somente da fé, somente em Jesus Cristo.

A segunda coisa que devemos saber para podermos compreender corretamente a história da igreja é que a palavra “católico” simplesmente significa “universal”. Isto se faz importante porque os escritos cristãos primitivos do primeiro e segundo séculos, quando o termo “católico” é usado, referem-se à “igreja universal” ou “corpo de Cristo” que é feito dos crentes “renascidos” de cada tribo, língua e nação (Apocalipse 5:9; 7:9). Entretanto, como muitas palavras através dos tempos, a palavra “católico” começou a assumir novo significado, ou veio a ser usada em um novo sentido. Através dos tempos, o conceito de uma igreja “universal” ou “católica” começou a tornar-se o conceito de que todas as igrejas eram consideradas como formando, juntas, uma igreja, não apenas espiritualmente, mas também visivelmente, estendendo-se através do mundo. Este mal entendimento da natureza da igreja visível (que sempre teve “joio e trigo” e a igreja invisível (o corpo de Cristo que é feito apenas de crentes renascidos), levaria ao conceito de uma visível Igreja Católica Santa, fora da qual não há salvação. É por causa deste mal entendimento da natureza da igreja universal que a Igreja Católica Romana se desenvolveu.

Antes da conversão de Constantino ao Cristianismo em 315 d.C., os cristãos haviam sido perseguidos pelo governo romano. Com sua conversão, o Cristianismo tornou-se uma religião permitida do Império Romano (e mais tarde tornou-se a religião oficial), e desta forma a Igreja “visível” juntou-se com o poder do governo Romano. Este casamento de Igreja e Estado levou à formação da Igreja Católica Romana, e através dos tempos fez com que a Igreja Católica Romana refinasse sua doutrina e desenvolvesse sua estrutura da forma que melhor servisse aos propósitos do governo romano. Durante este tempo, opor-se à Igreja Católica Romana era o mesmo que se opor ao governo romano, o que acarretava severas penas. Por este motivo, se alguém discordasse com alguma doutrina da Igreja Católica Romana, seria uma séria ofensa que freqüentemente levaria à excomunhão, e às vezes até a morte.

Apesar de tudo, neste momento da história havia verdadeiros cristãos “renascidos” que se levantariam e se oporiam à secularização da Igreja Católica Romana e à distorção da fé que seguiam. Através desta combinação entre Igreja e Estado, através dos tempos, a Igreja Católica Romana efetivamente silenciou aqueles que se opuseram a qualquer uma de suas doutrinas e práticas, e verdadeiramente quase se tornou uma igreja universal através do Império Romano. Havia sempre “bolsões” de resistência a algumas das práticas e ensinamentos não-bíblicos da Igreja Católica Romana, apesar de serem relativamente pequenos e isolados. Antes da Reforma Protestante, no século XVI, homens como John Wycliffe, na Inglaterra, John Huss, na então Tchecoslováquia e John of Wessel na Alemanha, todos já haviam dado suas vidas por sua oposição a alguns dos ensinamentos não-bíblicos da Igreja Católica Romana.

A oposição à Igreja Católica Romana e a seus falsos ensinamentos piorou no século XVI, quando um monge católico Romano chamado Martin Luther (Martinho Lutero) pregou suas 95 Teses contra os ensinamentos da Igreja Católica Romana na porta da igreja do castelo de Wittenbert, Alemanha. A intenção de Martinho Lutero era reformar a Igreja Católica Romana, e fazendo assim estava desafiando a autoridade do papa. Com a recusa da Igreja Católica Romana em dar ouvidos à chamada de Lutero para a reforma e retorno às doutrinas e práticas bíblicas, iniciou-se a Reforma Protestante, da qual quatro divisões ou tradições principais de Protestantismo surgiriam: Luteranismo, Reformados, Anabatistas e Anglicanos. Durante este tempo Deus levantou homens piedosos em diferentes países para, uma vez mais restaurar igrejas por todo o mundo a suas origens bíblicas e a suas doutrinas e práticas bíblicas.

Junto à Reforma Protestante se assentam quatro perguntas ou doutrinas básicas, que segundo criam estes reformadores, constituíam erro por parte da Igreja Católica Romana. Estas quatro questões ou doutrinas são: Como uma pessoa é salva? Onde reside a autoridade religiosa? O que é a igreja? Qual a essência do viver cristão? Respondendo a estas perguntas, os reformadores protestantes, como Martinho Lutero, Ulrich Zwingli, John Calvin (João Calvino) e John Knox estabeleceram o que seria conhecido como as “Cinco Solas” (sola é a palavra latina para única) da Reforma. Estes cinco pontos da doutrina formam o coração da Reforma Protestante, e era por estas cinco doutrinas bíblicas essenciais que os reformadores protestantes afirmariam sua opinião contra a Igreja Católica Romana, resistindo às exigências a eles feitas para que voltassem atrás em seus ensinamentos, mesmo até ao ponto de morrer. Estas cinco doutrinas essenciais da Reforma Protestante são:

1- Sola Scriptura, somente a Escritura: afirma a doutrina bíblica de que somente a Bíblia é a única autoridade para todos os assuntos de fé e prática. As Escrituras e somente as Escrituras são o padrão pelo qual todos os ensinamentos e doutrinas da igreja devem ser medidos. Como Martinho Lutero tão eloqüentemente afirmou quando a ele foi pedido para que voltasse atrás em seus ensinamentos: “Portanto, a menos que eu seja convencido pelo testemunho das Escrituras ou pelo mais claro raciocínio; a menos que eu seja persuadido por meio das passagens que citei; a menos que assim submetam minha consciência pela Palavra de Deus, não posso retratar-me e não me retratarei, pois é perigoso a um cristão falar contra a consciência. Aqui permaneço, não posso fazer outra coisa; Deus queira ajudar-me. Amém.”

2- Sola Gratia, somente a graça (salvação somente pela graça): afirma a doutrina bíblica de que a salvação é pela graça de Deus apenas, e que nós somos resgatados de Sua ira apenas por Sua graça. A graça de Deus em Cristo não é meramente necessária, mas é a única causa eficiente da salvação. Esta graça é a obra sobrenatural do Espírito Santo que nos traz a Cristo por nos soltar da servidão do pecado e nos levantar da morte espiritual para a vida espiritual.

3- Sola Fide, somente a fé (salvação somente pela fé): afirma a doutrina bíblica de que a justificação é pela graça somente, através da fé somente, por causa somente de Cristo. É pela fé em Cristo que Sua justiça é imputada a nós como a única satisfação possível da perfeita justiça de Deus.

4- Solus Christus – somente Cristo: afirma a doutrina bíblica de que a salvação é encontrada somente em Cristo e que unicamente Sua vida sem pecado e expiação substitutiva são suficientes para nossa justificação e reconciliação com Deus o Pai. O evangelho não foi pregado se a obra substitutiva de Cristo não é declarada, e a fé em Cristo e Sua obra não é proposta. 

5- Soli Deo Gloria, glória somente a Deus: afirma a doutrina bíblica de que a salvação é de Deus, e foi alcançada por Deus apenas para Sua glória. Isto demonstra que como cristãos devemos glorificar sempre a Ele, e devemos viver toda a nossa vida perante a face de Deus, sob a autoridade de Deus, e somente para sua glória.

Estas cinco importantes e fundamentais doutrinas são a razão da Reforma Protestante. Estão no coração do erro doutrinário da Igreja Católica Romana, e por que a Reforma Protestante se fazia necessária para fazer com que as igrejas através do mundo voltassem às doutrinas e ensinamentos bíblicos corretos. São tão importantes hoje em avaliar a igreja e seus ensinos quanto eram no passado. De muitas formas, grande parte da cristandade protestante precisa ser desafiada a retornar a essas doutrinas fundamentais de fé, da mesma forma que os reformadores desafiaram a Igreja Católica Romana no século XVI.

Fonte: GotQuestions