O que foi a Reforma Protestante?


Segue um resumo do que conversamos na escola bíblica do Aprisco Sede e da Agrovila em 30/10/2016. 

Ao compreendermos a história da Igreja Protestante e da Reforma, é importante primeiramente entender que uma das alegações feitas pela Igreja Católica Romana é a da sucessão apostólica. Isto simplesmente significa que eles alegam uma autoridade única sobre todas as igrejas e denominações, fazendo um retrocesso através dos séculos na linha de sucessão dos papas da Igreja Católica, chegando até o Apóstolo Pedro. Na visão que têm os católicos, isto dá a Igreja Católica Romana a singular autoridade que suplanta todas as denominações de igrejas. De acordo com a Enciclopédia Católica, esta sucessão apostólica é somente “encontrada na Igreja Católica” e nenhuma “igreja separada tem qualquer validade de alegar para si este direito.”

É por causa desta sucessão apostólica que a Igreja Católica Romana alega ter a singular autoridade para interpretar as Escrituras e estabelecer doutrinas, assim como ter um supremo líder no papa, que é infalível (livre de erro) quando falando ex cathedra , ou seja, no exercício de sua posição como pastor e mestre de todos os cristãos. Por este motivo, de acordo como a visão católica romana, os ensinamentos e tradições da Igreja Católica Romana, por virem do papa, são igualmente infalíveis e dotadas de autoridade, assim como as próprias Escrituras. Esta é uma das maiores diferenças entre os católicos romanos e os protestantes, e foi uma das razões fundamentais para a Reforma Protestante.

Logicamente os católicos romanos não são os únicos que tentam alegar para si a singular autoridade através da sucessão apostólica, rastreando as raízes de sua igreja até os dias dos primeiros apóstolos. Por exemplo, a Igreja Ortodoxa Oriental também alega sucessão apostólica, sendo esta muito parecida com a visão católica romana. A divisão entre a Igreja Ortodoxa Oriental e o Catolicismo Romano não ocorreu até o “Grande Cisma” em 1054 d.C. (a Igreja Católica Romana ocidental e a Igreja Ortodoxa oriental se separam). Há também algumas denominações protestantes ou grupos que tentarão estabelecer um “Rastreamento de Sangue” que possa ser feito retroativamente através dos séculos até a igreja do primeiro século e aos próprios apóstolos. Apesar destes protestantes não afirmarem a sucessão apostólica para estabelecer a autoridade de um “papa” como um líder infalível, eles, mesmo assim, vêem tal ligação com a igreja primitiva, em pelo menos um pequeno grau, como estabelecendo a autoridade de suas doutrinas e práticas.

O problema com qualquer uma destas tentativas de traçar uma linha de sucessão até os apóstolos no passado, sendo a Igreja Católica Romana, a Ortodoxa Oriental ou Protestante, é que são todas uma tentativa de deduzir ou apoiar a autoridade do que eles crêem e ensinam (de fontes erradas), com alguma conexão real ou percebida com os apóstolos, ao invés de vindas diretamente da Palavra de Deus. É importante para os cristãos compreender que a sucessão apostólica direta não é necessária para que uma igreja ou denominação tenha autoridade. Deus deu e preservou a suprema autoridade para todos os assuntos de fé e prática na Sua Santa Palavra, a Bíblia. Por esta razão, a autoridade de uma determinada denominação de igreja hoje não vem através de um laço qualquer com a igreja do primeiro século ou apóstolos, mas vem somente e diretamente da escrita Palavra de Deus. Os ensinamentos de uma igreja ou denominação têm autoridade e se impõem nos cristãos somente se representam o verdadeiro significado e claro ensinamento das Escrituras. Isto é um ponto importante a chegar quando se trata de compreender a conexão entre Protestantismo e a Igreja Católica Romana, e a razão por que a Reforma Protestante ocorreu. 

Ao se compreender a história do Cristianismo e as alegações de sucessão apostólica, tão bem quanto a alegação da Igreja Católica Romana em ser a única Igreja verdadeira com singular autoridade, é importante que cheguemos a alguns pontos-chave: Primeiro, devemos compreender que mesmo nos dias dos apóstolos e na igreja do primeiro século, falsos mestres e falsos ensinamentos se constituíam em problema significante. Sabemos disto porque encontramos avisos contra heresias e falsos mestres em todos os escritos posteriores do Novo Testamento. O próprio Jesus alertou que estes falsos mestres seriam como “lobos em pele de cordeiro” (Mateus 7:15), e que haveria “joio e trigo” convivendo até o dia do julgamento, quando Ele separaria os salvos dos perdidos, os verdadeiros crentes “renascidos” daqueles que não O receberam verdadeiramente (Mateus 13:24-30). Isto é importante na compreensão da história da igreja, pois desde quase o começo falsos mestres e falsos ensinamentos invadiram a igreja, desviando as pessoas do caminho correto. Mas apesar disto, sempre houve também os verdadeiros crentes “renascidos”, que através de todas as gerações, mesmo nos períodos mais negros da idade das trevas, se agarraram firmemente às doutrinas bíblicas de salvação apenas pela graça, através somente da fé, somente em Jesus Cristo.

A segunda coisa que devemos saber para podermos compreender corretamente a história da igreja é que a palavra “católico” simplesmente significa “universal”. Isto se faz importante porque os escritos cristãos primitivos do primeiro e segundo séculos, quando o termo “católico” é usado, referem-se à “igreja universal” ou “corpo de Cristo” que é feito dos crentes “renascidos” de cada tribo, língua e nação (Apocalipse 5:9; 7:9). Entretanto, como muitas palavras através dos tempos, a palavra “católico” começou a assumir novo significado, ou veio a ser usada em um novo sentido. Através dos tempos, o conceito de uma igreja “universal” ou “católica” começou a tornar-se o conceito de que todas as igrejas eram consideradas como formando, juntas, uma igreja, não apenas espiritualmente, mas também visivelmente, estendendo-se através do mundo. Este mal entendimento da natureza da igreja visível (que sempre teve “joio e trigo” e a igreja invisível (o corpo de Cristo que é feito apenas de crentes renascidos), levaria ao conceito de uma visível Igreja Católica Santa, fora da qual não há salvação. É por causa deste mal entendimento da natureza da igreja universal que a Igreja Católica Romana se desenvolveu.

Antes da conversão de Constantino ao Cristianismo em 315 d.C., os cristãos haviam sido perseguidos pelo governo romano. Com sua conversão, o Cristianismo tornou-se uma religião permitida do Império Romano (e mais tarde tornou-se a religião oficial), e desta forma a Igreja “visível” juntou-se com o poder do governo Romano. Este casamento de Igreja e Estado levou à formação da Igreja Católica Romana, e através dos tempos fez com que a Igreja Católica Romana refinasse sua doutrina e desenvolvesse sua estrutura da forma que melhor servisse aos propósitos do governo romano. Durante este tempo, opor-se à Igreja Católica Romana era o mesmo que se opor ao governo romano, o que acarretava severas penas. Por este motivo, se alguém discordasse com alguma doutrina da Igreja Católica Romana, seria uma séria ofensa que freqüentemente levaria à excomunhão, e às vezes até a morte.

Apesar de tudo, neste momento da história havia verdadeiros cristãos “renascidos” que se levantariam e se oporiam à secularização da Igreja Católica Romana e à distorção da fé que seguiam. Através desta combinação entre Igreja e Estado, através dos tempos, a Igreja Católica Romana efetivamente silenciou aqueles que se opuseram a qualquer uma de suas doutrinas e práticas, e verdadeiramente quase se tornou uma igreja universal através do Império Romano. Havia sempre “bolsões” de resistência a algumas das práticas e ensinamentos não-bíblicos da Igreja Católica Romana, apesar de serem relativamente pequenos e isolados. Antes da Reforma Protestante, no século XVI, homens como John Wycliffe, na Inglaterra, John Huss, na então Tchecoslováquia e John of Wessel na Alemanha, todos já haviam dado suas vidas por sua oposição a alguns dos ensinamentos não-bíblicos da Igreja Católica Romana.

A oposição à Igreja Católica Romana e a seus falsos ensinamentos piorou no século XVI, quando um monge católico Romano chamado Martin Luther (Martinho Lutero) pregou suas 95 Teses contra os ensinamentos da Igreja Católica Romana na porta da igreja do castelo de Wittenbert, Alemanha. A intenção de Martinho Lutero era reformar a Igreja Católica Romana, e fazendo assim estava desafiando a autoridade do papa. Com a recusa da Igreja Católica Romana em dar ouvidos à chamada de Lutero para a reforma e retorno às doutrinas e práticas bíblicas, iniciou-se a Reforma Protestante, da qual quatro divisões ou tradições principais de Protestantismo surgiriam: Luteranismo, Reformados, Anabatistas e Anglicanos. Durante este tempo Deus levantou homens piedosos em diferentes países para, uma vez mais restaurar igrejas por todo o mundo a suas origens bíblicas e a suas doutrinas e práticas bíblicas.

Junto à Reforma Protestante se assentam quatro perguntas ou doutrinas básicas, que segundo criam estes reformadores, constituíam erro por parte da Igreja Católica Romana. Estas quatro questões ou doutrinas são: Como uma pessoa é salva? Onde reside a autoridade religiosa? O que é a igreja? Qual a essência do viver cristão? Respondendo a estas perguntas, os reformadores protestantes, como Martinho Lutero, Ulrich Zwingli, John Calvin (João Calvino) e John Knox estabeleceram o que seria conhecido como as “Cinco Solas” (sola é a palavra latina para única) da Reforma. Estes cinco pontos da doutrina formam o coração da Reforma Protestante, e era por estas cinco doutrinas bíblicas essenciais que os reformadores protestantes afirmariam sua opinião contra a Igreja Católica Romana, resistindo às exigências a eles feitas para que voltassem atrás em seus ensinamentos, mesmo até ao ponto de morrer. Estas cinco doutrinas essenciais da Reforma Protestante são:

1- Sola Scriptura, somente a Escritura: afirma a doutrina bíblica de que somente a Bíblia é a única autoridade para todos os assuntos de fé e prática. As Escrituras e somente as Escrituras são o padrão pelo qual todos os ensinamentos e doutrinas da igreja devem ser medidos. Como Martinho Lutero tão eloqüentemente afirmou quando a ele foi pedido para que voltasse atrás em seus ensinamentos: “Portanto, a menos que eu seja convencido pelo testemunho das Escrituras ou pelo mais claro raciocínio; a menos que eu seja persuadido por meio das passagens que citei; a menos que assim submetam minha consciência pela Palavra de Deus, não posso retratar-me e não me retratarei, pois é perigoso a um cristão falar contra a consciência. Aqui permaneço, não posso fazer outra coisa; Deus queira ajudar-me. Amém.”

2- Sola Gratia, somente a graça (salvação somente pela graça): afirma a doutrina bíblica de que a salvação é pela graça de Deus apenas, e que nós somos resgatados de Sua ira apenas por Sua graça. A graça de Deus em Cristo não é meramente necessária, mas é a única causa eficiente da salvação. Esta graça é a obra sobrenatural do Espírito Santo que nos traz a Cristo por nos soltar da servidão do pecado e nos levantar da morte espiritual para a vida espiritual.

3- Sola Fide, somente a fé (salvação somente pela fé): afirma a doutrina bíblica de que a justificação é pela graça somente, através da fé somente, por causa somente de Cristo. É pela fé em Cristo que Sua justiça é imputada a nós como a única satisfação possível da perfeita justiça de Deus.

4- Solus Christus – somente Cristo: afirma a doutrina bíblica de que a salvação é encontrada somente em Cristo e que unicamente Sua vida sem pecado e expiação substitutiva são suficientes para nossa justificação e reconciliação com Deus o Pai. O evangelho não foi pregado se a obra substitutiva de Cristo não é declarada, e a fé em Cristo e Sua obra não é proposta. 

5- Soli Deo Gloria, glória somente a Deus: afirma a doutrina bíblica de que a salvação é de Deus, e foi alcançada por Deus apenas para Sua glória. Isto demonstra que como cristãos devemos glorificar sempre a Ele, e devemos viver toda a nossa vida perante a face de Deus, sob a autoridade de Deus, e somente para sua glória.

Estas cinco importantes e fundamentais doutrinas são a razão da Reforma Protestante. Estão no coração do erro doutrinário da Igreja Católica Romana, e por que a Reforma Protestante se fazia necessária para fazer com que as igrejas através do mundo voltassem às doutrinas e ensinamentos bíblicos corretos. São tão importantes hoje em avaliar a igreja e seus ensinos quanto eram no passado. De muitas formas, grande parte da cristandade protestante precisa ser desafiada a retornar a essas doutrinas fundamentais de fé, da mesma forma que os reformadores desafiaram a Igreja Católica Romana no século XVI.

Fonte: GotQuestions

TENTAÇÕES DA MISSÃO INTEGRAL E DO SE OPOR A ELA

Por Antônio Carlos Costa

A pregação do evangelho acompanhada de ensino sólido, que mostre as implicações político-sociais do cristianismo, pode liberar energia capaz de levar cristãos verdadeiros a lutarem tanto contra totalitarismo de direita, quanto contra totalitarismo de esquerda. E isso a partir da mais alta motivação possível: a glória de Deus. 

1. Ignorar o chamado à evangelização do mundo. 

Obsessão com a injustiça social em detrimento da preocupação com a injustiça pessoal. A primeira, inviabiliza a relação do homem com o seu semelhante. A segunda, inviabiliza a relação do homem com o seu Criador. 

2. Perder de vista o fato de que o pobre é pecador.

A pobreza não é virtude. Não torna o ser humano imune ao pecado. Responsabilidade diminuída não é o mesmo que responsabilidade eliminada.

3. Relativizar o aspecto privado da ética cristã.
Vivi muito essa tentação. Você chega de uma favela na qual dez foram executados. Descobre na cidade esquema de corrupção que sangra os cofres públicos e impede verba pública de chegar às áreas carentes. Percebe o lado hediondo do sistema econômico. Toma conhecimento das relações de poder. A vontade é de circunscrever o pecado a apenas esse tipo de maldade monumental. 

4. Tornar-se marxista.

O marxismo é uma religião secular profundamente atraente para o militante da missão integral. Por falar muito em injustiça social, pode levar o cristão sincero a não perceber que o que prescreve como solução aos males do capitalismo não é tão bom quanto à crítica que faz às injustiças do capitalismo. Nunca devemos nos esquecer do fato que o marxismo vê Cristo, moral cristã, céu, Bíblia, igreja, culto, como frutos de relações econômicas sem nenhum fundamento na realidade dos fatos. Jogo de poder puro. Os detentores do poder usando a religião para justificar a opressão do trabalhador. Marx se enganou. Weber o corrigiu. A pregação do evangelho acompanhada de ensino sólido, que mostre as implicações político-sociais do cristianismo, pode liberar energia capaz de levar cristãos verdadeiros a lutarem tanto contra totalitarismo de direita, quanto contra totalitarismo de esquerda. E isso a partir da mais alta motivação possível: a glória de Deus.   

5. Pregar de modo soberbo e amargo.

Viver a insultar quem pensa de modo diferente, julgar que quem não vê a vida em termos de luta de classe trabalha para o sistema de exploração do pobre, desmerecer o trabalho de crentes fiéis que ainda não entenderam os pressupostos teológicos da missão integral. Cuspirem no próprio prato, pois muitos foram levados a Cristo por pregadores que nada sabiam sobre missão integral.

6. Pastorear igreja que não cresce e não se perturbar com isso.

Chegar à conclusão que a igreja não aumenta em número porque sua mensagem representa verdadeiro golpe nas ambições da burguesia, quando na verdade a igreja deixou de batizar pessoas pelo fato de o pregador não anunciar mais o evangelho, deixando de conclamar a igreja a levar as boas novas aos que não sabem para aonde vão depois da morte.

7. Usar o púlpito para falar desmedidamente sobre política.

Tornar-se monotemático. Mandar no culto de domingo mensagem para a classe governante. Falar sobre o que pouco conhece. Deixar de pregar expositivamente. Permitir que a pregação seja mais pautada pelo jornal do que pela Bíblia.

8. Acreditar que pelo fato de pregar sobre o pobre, está servindo ao pobre.

Dar voz a quem não conhece. Falar sobre pobreza sem estar na favela. Pregar mensagem que nem o pobre entende. Deixar o pobre só, nas ocasiões em que ficar do lado dele representa risco de vida.

9. Envolver-se com política partidária.
Essa é uma coisa que o membro da igreja pode fazer. Mas, como fica a vida de um pregador que usa da sua influência para levar pessoas a aderirem ao seu partido político numa igreja na qual pessoas das mais diferentes linhas ideológicas congregam? Como evitar que seu compromisso com a justiça não seja contaminado pela sua preferência partidária?

10. Ser mais versado em ciência política do que em teologia sistemática

A igreja espera ter como pastor um pregador bom de Bíblia. Capaz de fazer leitura sobre as demais disciplinas do pensamento a partir do enquadramento intelectual da boa teologia sistemática, que tem a teologia bíblica como fundamento. Se a sua paixão é ciência política e não a exposição das Escrituras, largue o púlpito, pois nem só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus.


TENTAÇÕES DO SE OPOR A MISSÃO INTEGRAL

1. Ignorar o chamado à justiça social.

Obsessão com o estado de injustiça do ser humano em detrimento da preocupação com o estado de injustiça da sociedade. Procurar encher o céu que Deus criou para o homem, mas ignorar o inferno que o homem criou para si mesmo. Falar em edificar o reino de Cristo, enquanto os membros da igreja vivem em cidades tornadas em reino do Diabo. Preferir contratar segurança particular para impedir que carros sejam roubados durante o culto a pressionar o poder público a fim de que implemente políticas públicas que diminuirão a criminalidade. 

2. Perder de vista o fato de que o pobre deve ser objeto principal da misericórdia da igreja.

Evangelização que não leva o convertido a se compadecer dos seres humanos que mais sofrem e que no seu sofrimento nada podem fazer para se livrarem dos seus infortúnios, significará, sempre, transformar a igreja em escola de boas maneiras, congregação de andróides, lugar que o jovem rico procurará após ter sido despedido por Cristo. 

É miopia histórica profunda e grave falta de conhecimento das Escrituras não compreender que a pobreza é, na maioria das vezes, fruto da injustiça social. Igreja que não se compadece do necessitado está servindo a Satanás travestido de Cristo.
3. Relativizar a dimensão pública da ética cristã.

Não compreender que tolerar o regime da escravidão é tão hediondo quanto maltratar o escravo. Dar-se por satisfeito por dar o dízimo, não ter amante, levar Júnior ao judô, ser abstêmio; mas, apoiar o Nazismo, ser a favor do Aparthaid, tolerar a supressão dos direitos civis dos negros, ficar mudo quando o Estado permite que seus policiais morram em missões inúteis e não gritar “não matarás!” em ocasiões nas quais a polícia pratica a rodo execuções extrajudiciais. Por que a turma da “lei e ordem” não protestou quando policiais paulistas mataram 19 moradores de periferia, no ano passado, em Osasco? 

4. Ser refratário às críticas que a esquerda faz ao nosso modelo de sociedade.

Fugir de Marx para ser abraçado por Hayek. Denunciar quem apoia Hugo Chaves, mas ficar mudo quando James Dobson e Wayne Grudem apoiam Donald Trump. 

Esquecer-se do fato que Karl Marx começa a criticar o modelo capitalista, num contexto no qual mulheres e crianças trabalhavam 17 horas por dia nas fábricas da Inglaterra protestante. 

Não definir quanto do marxismo uma pessoa precisa crer para ser considerada marxista. Fugir do modelo bolivariano para abraçar o modelo neoliberal. 

Como negar que jamais uma nação foi edificada sem a exploração da mão de obra do trabalhador? Como pastores podem aceitar acriticamente modelo político-econômico que destrói a família, faz pessoas envelhecerem antes do tempo, saqueia a alma? Relação trabalhista análoga a que encontramos nos dias de Moisés: “Eles estão falando sobre libertação porque têm tempo para pensar. Aumentem o trabalho deles! Exijam que produzam mais! Que eles não respirem!” Mente extenuada é também oficina do Diabo.

Como negar o fato de que pastores, teólogos, jornalistas, escritores, podem estar trabalhando para os detentores do poder econômico, justificando a exploração? Exercendo tamanha influencia sobre a cultura a ponto de tornar os prisioneiros preocupados em manter intactas as paredes do cárcere a fim de não escaparem da prisão. A igreja pode transformar sua mensagem em narcótico do povo. 

Tenho pena do pregador que é a favor da manutenção do sistema de exploração por depender das ofertas de quem ameaça sair da igreja caso ele condene do púlpito o regime de escravidão velada, comandado pelo rico. Não há a mínima dúvida de que denominações inteiras e mantenedores do estrangeiro podem exercer a mesma pressão sobre blogueiros, professores de seminário, escritores, palestrantes, pastores. Que covardia. 

5. Pregar com soberba e amargura.

Viver a insultar quem pensa de modo diferente, julgar que quem não vê a vida em termos de – economia de mercado irrestrita, não regulada, não democrática, não preocupada com o meio ambiente, não desejosa de tirar o destino do país das mãos de governantes eleitos pelo povo para o colocar nas mãos dos donos das grandes corporações cujo objetivo é o lucro-, é ingênuo e colabora para o colapso da economia. Como se aumento da renda fosse tudo e chegar ao posto de sétima economia do mundo garantisse por si só a promoção da igualdade de oportunidade de vida para todos. 

Combatem o Estado de bem-estar social, como se fosse possível o oceano de garotos pobres das favelas erguerem-se por conta própria sem a ajuda do poder público. Aí dirão: “Essa é a tarefa da sociedade, não do Estado!” Qual igreja dá conta do sertão do nordeste e das favelas do Rio e São Paulo? Quantas estão interessadas nesse tipo de coisa? A maioria? 

Tornar o ambiente da igreja impossível para quem tem uma mentalidade mais europeia do que americana. Fechar as portas para jovens que têm formação em sociologia, antropologia, ciência política; muitos dos quais incapazes de se imaginarem vivendo em igrejas tão ingenuamente cooptadas por um conservadorismo de direita, que nenhuma ginástica exegética consegue encontrar na Bíblia.

Cuspirem no próprio prato, pois os benefícios civis, políticos e sociais de que gozam são frutos de lutas travadas por homens e mulheres que impediram que esse mundo se tornasse tão mau quanto poderia ser. 

6. Pastorear igreja que não cresce ou cresce de modo adoecido e não se perturbar com isso.

Chegar à conclusão que a igreja não aumenta em número porque seu evangelho é puro, ignorando o fato de que a igreja deixou de batizar pessoas em razão de o pregador anunciar mais lei do que graça, pensar que pregar a Bíblia é o mesmo que pregar o evangelho e não perceber que a igreja está mais versada na controvérsia supralapsariana do que no caminho que leva ao céu. 
Anos de exposição bíblica -sem anunciar ao mesmo tempo o Cristo que nos protege da lei- é capaz de levar jovens a ficarem de cabelo branco, filhos de crentes sumirem da igreja e a membresia agasalhar um rancor secreto em relação a um Deus que não dá descanso à alma humana.

7. Jamais falar sobre política no culto.
Levar a igreja a acreditar que o interesse por política é e sempre será necessariamente mundano. Ignorar a responsabilidade -diante de Deus- de vivenciar o cristianismo numa democracia. Desperdiçar os recursos humanos e a liberdade política, deixando de exercer pressão pacífica e democrática nas ocasiões nas quais o poder público não se mantém sujeito à autoridade constituída por Deus num regime democrático, o povo, cuja vontade é expressa através das leis do país.
Em suma, é pregar sem ter a Bíblia numa das mãos e o jornal na outra. É o país estar ameaçado por grave conflito civil, o tecido social se corroendo, a democracia entrando em colapso, membros da igreja sofrendo pressões infernais no ambiente de trabalho, cristãos sem saberem se participam de uma greve geral; e o pregador não parar a série de mensagens sobre o pedobatismo.

8. Não ver pobre na Bíblia.

Ignorar que não foi Karl Marx, mas Calvino quem disse:

“Cresce a audácia aos ricos, porque aqueles a quem sobrepujam são destituídos de todo recurso. Contudo… quando do lado dos homens nenhuma defesa tenha o pobre, a vingança de Deus mais pronta e aparelhada lhe está”. 

“Eis como fazem os ricos frequentemente, espreitam as ocasiões, a fim de reduzir à metade o ganho da pobre gente, quando não tem em que empregar-se”.

“Quando, pois, tem um homem alguns a seu serviço, deve ele considerar: se eu tivesse no lugar deles, como gostaria de ser tratado?”

“Ora, pois que assim é, quando os pobres que tenhais empregado em obra vossa, e que tenham posto seu labor, seu suor e seu sangue a vosso serviço, não tenham sido assalariados como convém, e não os tenhais confortado e sustentado, se a Deus vingança pedem contra vós, quem vos será procurador, ou advogado, que vos possa livrar?”.

“Ofício próprio de Deus é tomar a causa dos pobres”.

“Nosso Deus… se constitui devedor em lugar do pobre para retribuir-nos de uma vez com amplos juros tudo quanto lhe damos”.

 Ter como referência pregadores europeus e americanos do passado, e não o próprio Cristo, que é visto nas ruas curando, libertando e anunciando o evangelho aos pobres.

9. Ser apartidário.

Trocar a ação suprapartidária pela criminalização da política. Esquecer-se que quem não gosta de política é governado por quem gosta. Ser seletivo nas denúncias que faz contra os partidos políticos. Não estimular com fervor os jovens da igreja a se candidatarem, da mesma forma que o faz quando cobra que se envolvam com a manutenção do funcionamento da máquina eclesiástica.

10. Ser bom em teologia sistemática, mas não ser profeta.

Conhecer o sistema teológico. Ter memória enciclopédica. Mas, mostrar-se incapaz de relacionar a doutrina às realidades concretas da vida das pessoas. Levar ao inferno os jovens da igreja por causa de sexo, mas não dizer ao rico que se ele continuar tão rico quanto era antes de se tornar membro da igreja, estará dando evidência de que jamais nasceu de novo. 

Para ser sincero, vejo esses males, aos quais todo e qualquer membro de igreja evangélica no país está exposto, mais presentes e disseminados no protestantismo brasileiro do que os que mencionei no último artigo, no qual falei sobre as tentações da missão integral. 

Em suma, você e eu temos muito do que nos arrepender. A igreja precisa de reforma e avivamento. Retorno às Escrituras e à verdadeira vida cristã, que somente dedica lealdade incondicional a Cristo.
Por Antônio Carlos Costa

Biblioteca Virtual

Compartilharemos nesse post os links de boas referências de pesquisa nos assuntos de conhecimento cristão bíblico e afins. 

Não significa que assumamos como conteúdo filtrado e plenamente equilibrado biblicamente ou ajustado a nossa visão de mundo já que cada uma das referências já vem com os juízos de valor de quem os disponibiliza porém, com o filtro do leitor, muito pode ser aproveitado.

Sempre estaremos atualizando então, volte sempre e indique aos amigos.  

Biblioteca Mackenzie – conteúdo de base presbiteriana, diversificado com muitos artigos e trabalhos aproximados a realidade brasileira. 

Biblioteca Ecclesia – conteúdo católico, diversificado e antigo da história da igreja e outras áreas afins. 

Solascriptura – conteúdo de base batista, com bastante informação. 

Através da Bíblia

Esses dias nos perguntaram sobre qual seria um material legal para dar suporte no estudo da Bíblia. Como pastores de uma igreja local, uma das nossas responsabilidades é cuidar da alimentação espiritual das ovelhas e muní-las de ferramentas para o aperfeiçoamento do caráter de cada uma conforme Cristo e o preparo para o serviço na obra de Deus.  No final desse texto deixaremos uns Links para um material que consideramos bom mas antes vão alguns conselhos.

E ele mesmo concedeu uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas e outros para pastores e mestres, com vistas ao aperfeiçoamento dos santos para o desempenho do seu serviço, para a edificação do corpo de Cristo, Até que todos cheguemos à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, à perfeita varonilidade, à medida da estatura da plenitude de Cristo, para que não mais sejamos como meninos, agitados de um lado para outro e levados ao redor por todo vento de doutrina, pela artimanha dos homens, pela astúcia com que induzem ao erro. Mas, seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo, de quem todo o corpo, bem ajustado e consolidado pelo auxílio de toda junta, segundo a justa cooperação de cada parte, efetua o seu próprio aumento para a edificação de si mesmo em amor. Efésios 4:11-16

É certo que há muito material e mensagens espalhadas em todos os meios de comunicação principalmente na internet mas, nem todos contém uma teologia saudável e coerente com a palavra de Deus. Nos dias de hoje tem sido um novo desafio pastorear pessoas que estão bebendo de diversas fontes diferentes mas que não sabem discernir e separar alimento, de veneno. Aqui vão algumas perguntas a serem respondidas por você: 

1) É um material ou mensagem que se fundamenta na Bíblia e se explica pela própria Bíblia e com centralidade em Cristo? Se sim, ótimo ! 

2) Analisa e julga a vida humana pela verdade plena da palavra ou parte da experiência e emoções humanas para interpretar e adptar a Bíblia? Se for o segundo caso há muito risco de ser falsa teologia.

3) Qual o fruto daquela teologia que está sendo ministrada é ensinada na própria vida de quem a está ministrando? Uma teologia saudável levará a uma vida pessoal saudável, familiar e em comunidade, revelando Cristo e seu amor. 

4) A palavra que está sendo pregada é conforme o que o escritor ou pregador tem buscado viver? 

Cremos que para termos uma boa contextualização da mensagem da palavra para os nossos dias e nossa vida, é também necessário o aprofundamento no conhecimento das escrituras e o respeito à sua integridade. Então, nossa instrução é o apego às Escrituras como a infalível e inerrante Palavra de Deus. Esse é o ponto central em toda essa discussão sobre “fundamentalistas X liberais”. Podemos errar em vários pontos, mas se temos uma atitude de respeito, amor e apego à Palavra de Deus, iremos nos submeter à correção que vem dela e corrigiremos os rumos. Uma vez que sua autoridade é questionada e sua autoridade minada, perderemos os referenciais e nos afastaremos mais e mais do cristianismo verdadeiro.

Seguem os Links para o Através da Bíblia, um estudo bem equilibrado, partindo das escrituras para as nossas dinâmicas do dia-a-dia:

  

Através da Bíblia é um ministério que ensina a Bíblia em mais de 100 idiomas e dialetos em todo o mundo. Nossa missão é simples e é a mesma que o próprio Dr. McGee adotou: Levar toda a Palavra de Deus ao mundo inteiro. É um estudo sistemático de toda a Bíblia com comentários capítulo por capítulo.
Programa idealizado pelo Dr. J. Vernon McGee (1904-1988). Ele serviu como pastor da Igreja da Porta Aberta (Open Door), em Los Angeles por 21 anos e foi também professor, palestrante e autor. Seus títulos incluem o de Bacharelato em Divindade e Doutorado do Seminario Teológico de Columbia, e Mestrado em Telología no Seminário Teológio de Dallas, no Texas. A versão em português é atualizada e contextualizada pelo Pr. Itamir Neves que é pastor, conferencista e professor nas áreas de Teologia da Vida Cristã, Novo Testamento, Teologia Bíblica, Homilética e Pregação Expositiva. Cursou grego na USP e concluiu seu mestrado na Universidade Metodista de São Paulo. É casado com a Sra. Beti, tem três filhos e uma neta.

Somos teólogos

“Não existe ser humano que, de forma consciente, inconsciente ou subconsciente – não tenha o seu Deus ou os seus deuses, como sendo objeto de sua ambição ou de sua confiança mais sublime, como sendo base de seu comprometimento mais profundo. Em decorrência deste fato, qualquer ser humano é teólogo. Não há nem religião, nem filosofia, nem cosmovisão que, seja profunda ou superficial – não se relacione com alguma divindade, interpretada ou circunscrita desta ou daquela forma, e que, portanto, não tenha aspectos de teologia.” Karl Barth