Cristianismo e Comunismo

Metropolita Filareto (Voznesensky 1093-1985)
Examinaremos agora a questão da relação do Cristianismo com o Comunismo, precisamente, com esta forma particular de comunismo que apareceu hoje em dia, com a idéia de realizar os ideais do socialismo. Esta forma de comunismo surgiu na história como um inimigo jurado e severo do Cristianismo. Por sua vez, o Cristianismo se reconhece como completamente estranho e hostil ao comunismo, ao seu espírito e a todo conteúdo de sua ideologia.

A história da Igreja, durante a época dos Apóstolos, nos conta que aquela época teve seu próprio comunismo cristão, quando os fiéis tinham tudo em comum, como diz o livro dos Atos dos Apóstolos. Este comunismo cristão existe até hoje, na forma do Monasticismo, que é considerado a melhor forma de vida ascética Cristã. Assim, compartilhar a propriedade do ponto de vista cristão, não é apenas aceitável, é mais do que isso: é uma maneira brilhante e idealmente nobre de relação cristã, seguindo o exemplo dos que existiram e existem atualmente na vida da Igreja Ortodoxa.
Como são grandes as diferenças entre o comunismo cristão e o comunismo Soviético. Estão tão longe um do outro como o céu da terra. O comunismo cristão não é uma finalidade independente de si mesma, algo que o Cristianismo se esforce. Não, é o resultado e nascimento de um espírito de amor que respirava na história primitiva da Igreja. Além disso, o comunismo cristão era totalmente voluntário. Eles nunca disseram: “Nos dê tudo: isso nos pertence”. Pelo contrário, os próprios cristãos se sacrificavam para que “ninguém dissesse que algo de sua propriedade era seu”. Em relação ao comunismo socialista, a divisão da propriedade é uma finalidade em si, que necessita ser atingida a qualquer preço, sem nenhuma consideração. O Comunismo alcança sua finalidade de uma maneira puramente coerciva, não se detêm nos meios empregados, nem sequer em atingir os que não estão de acordo. A base deste comunismo não é a liberdade como nas comunidades Cristãs, mas sim a coerção, não há amor que se auto-sacrifica, mas sim a inveja e o ódio…
Em sua luta contra o Cristianismo, o comunismo Soviético chega aos excessos que excluem a justiça mais básica, reconhecida em todo o mundo. Em sua ideologia de classe, o comunismo Soviético pisoteia a justiça. O objetivo de seu trabalho não é a felicidade comum de todos que estão sob o cuidado do estado, mas sim os interesses de uma só classe. Todo o resto dos grupos estatais e sociais de cidadãos são “deixados de lado”, fora do cuidado e proteção do governo comunista. A classe que está no poder não se preocupa com eles.
Ao falar de sua nova ordem, de seu estado livre, o comunismo promete constantemente uma “ditadura do proletariado”. Assim, com o tempo, o dito manifesto não deu nenhum sinal da prometida ditadura do proletariado, o que existe é uma ditadura burocrática sobre o proletariado. Além de que, não há nenhuma manifestação de liberdade política sob esse sistema: nem liberdade de imprensa, reunião, nem inviolabilidade de residência. Somente os que viveram na União Soviética podem saber a violência e a intensidade da opressão que ali reina. Sobre tudo isso, impera um terror político que jamais foi experimentado antes: execuções e crimes, exílios e prisões em condições incrivelmente rígidas. Isto é o que o comunismo tem dado ao povo russo, no lugar da liberdade prometida.
Em sua propaganda política, o comunismo proclama que está alcançando a realização da liberdade, igualdade (querem dizer: justiça) e fraternidade. Já falamos da primeira e da segunda. A idéia de fraternidade foi retirada dos cristãos, que se chamam de “irmãos”. O apóstolo Pedro disse: “Honrai a todos, amai os irmãos” (1 Pedro 2,17). Na prática, o comunismo mudou a palavra “irmão” para a palavra “camarada”. Isto é muito importante, já que os camaradas podem ser cúmplices (mas não irmãos) em qualquer atividade. Mas ninguém pode falar realmente a palavra “irmão” em nenhum lugar, onde impera a luta de classes, inveja e o ódio sem precedente.
Todas estas diferenças citadas entre o Cristianismo e o comunismo não esgotam a mesma essência da contradição entre ambos. A diferença fundamental entre o comunismo e o Cristianismo jaz ainda mais profundamente, na ideologia religiosa de ambos. Não é de se estranhar, que os comunistas lutam maliciosamente e obstinadamente contra a nossa fé. O comunismo é supostamente um sistema ateu que renuncia a toda religião. É na realidade, uma religião: uma religião fanática, obscura e intolerante. O Cristianismo é uma religião do Céu, o comunismo, uma religião da terra. O Cristianismo prega o amor a todos, o comunismo prega a luta de classes e a guerra baseada no egoísmo. O Cristianismo é uma religião de idealismo, fundada na Fé da vitória da verdade de Deus e de Seu amor. O comunismo é uma religião de um pragmatismo seco e racional, que tem como objetivo de criar um paraíso terreno (paraíso da saciedade animal e reprovação espiritual).
Isso significa, que assim como se põe uma cruz no túmulo de um Cristão, o túmulo de um comunista é marcado por uma estaca vermelha. Simbólico e indicativo nos dois! Em um, a fé da vitória da vida sobre a morte e do bem sobre o mal. No outro, a obscuridade, ignorância, trevas e vazio, sem alegria, nem alívio e esperança para o futuro. Assim como as santas relíquias dos santos e ascetas da fé em Cristo florescem com incorruptibilidade e fragrância, o cadáver podre embalsamado de Lênin é o melhor símbolo do comunismo.

Fonte: http://www.ecclesia.com.br/

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