O que foi a Reforma Protestante?


Segue um resumo do que conversamos na escola bíblica do Aprisco Sede e da Agrovila em 30/10/2016. 

Ao compreendermos a história da Igreja Protestante e da Reforma, é importante primeiramente entender que uma das alegações feitas pela Igreja Católica Romana é a da sucessão apostólica. Isto simplesmente significa que eles alegam uma autoridade única sobre todas as igrejas e denominações, fazendo um retrocesso através dos séculos na linha de sucessão dos papas da Igreja Católica, chegando até o Apóstolo Pedro. Na visão que têm os católicos, isto dá a Igreja Católica Romana a singular autoridade que suplanta todas as denominações de igrejas. De acordo com a Enciclopédia Católica, esta sucessão apostólica é somente “encontrada na Igreja Católica” e nenhuma “igreja separada tem qualquer validade de alegar para si este direito.”

É por causa desta sucessão apostólica que a Igreja Católica Romana alega ter a singular autoridade para interpretar as Escrituras e estabelecer doutrinas, assim como ter um supremo líder no papa, que é infalível (livre de erro) quando falando ex cathedra , ou seja, no exercício de sua posição como pastor e mestre de todos os cristãos. Por este motivo, de acordo como a visão católica romana, os ensinamentos e tradições da Igreja Católica Romana, por virem do papa, são igualmente infalíveis e dotadas de autoridade, assim como as próprias Escrituras. Esta é uma das maiores diferenças entre os católicos romanos e os protestantes, e foi uma das razões fundamentais para a Reforma Protestante.

Logicamente os católicos romanos não são os únicos que tentam alegar para si a singular autoridade através da sucessão apostólica, rastreando as raízes de sua igreja até os dias dos primeiros apóstolos. Por exemplo, a Igreja Ortodoxa Oriental também alega sucessão apostólica, sendo esta muito parecida com a visão católica romana. A divisão entre a Igreja Ortodoxa Oriental e o Catolicismo Romano não ocorreu até o “Grande Cisma” em 1054 d.C. (a Igreja Católica Romana ocidental e a Igreja Ortodoxa oriental se separam). Há também algumas denominações protestantes ou grupos que tentarão estabelecer um “Rastreamento de Sangue” que possa ser feito retroativamente através dos séculos até a igreja do primeiro século e aos próprios apóstolos. Apesar destes protestantes não afirmarem a sucessão apostólica para estabelecer a autoridade de um “papa” como um líder infalível, eles, mesmo assim, vêem tal ligação com a igreja primitiva, em pelo menos um pequeno grau, como estabelecendo a autoridade de suas doutrinas e práticas.

O problema com qualquer uma destas tentativas de traçar uma linha de sucessão até os apóstolos no passado, sendo a Igreja Católica Romana, a Ortodoxa Oriental ou Protestante, é que são todas uma tentativa de deduzir ou apoiar a autoridade do que eles crêem e ensinam (de fontes erradas), com alguma conexão real ou percebida com os apóstolos, ao invés de vindas diretamente da Palavra de Deus. É importante para os cristãos compreender que a sucessão apostólica direta não é necessária para que uma igreja ou denominação tenha autoridade. Deus deu e preservou a suprema autoridade para todos os assuntos de fé e prática na Sua Santa Palavra, a Bíblia. Por esta razão, a autoridade de uma determinada denominação de igreja hoje não vem através de um laço qualquer com a igreja do primeiro século ou apóstolos, mas vem somente e diretamente da escrita Palavra de Deus. Os ensinamentos de uma igreja ou denominação têm autoridade e se impõem nos cristãos somente se representam o verdadeiro significado e claro ensinamento das Escrituras. Isto é um ponto importante a chegar quando se trata de compreender a conexão entre Protestantismo e a Igreja Católica Romana, e a razão por que a Reforma Protestante ocorreu. 

Ao se compreender a história do Cristianismo e as alegações de sucessão apostólica, tão bem quanto a alegação da Igreja Católica Romana em ser a única Igreja verdadeira com singular autoridade, é importante que cheguemos a alguns pontos-chave: Primeiro, devemos compreender que mesmo nos dias dos apóstolos e na igreja do primeiro século, falsos mestres e falsos ensinamentos se constituíam em problema significante. Sabemos disto porque encontramos avisos contra heresias e falsos mestres em todos os escritos posteriores do Novo Testamento. O próprio Jesus alertou que estes falsos mestres seriam como “lobos em pele de cordeiro” (Mateus 7:15), e que haveria “joio e trigo” convivendo até o dia do julgamento, quando Ele separaria os salvos dos perdidos, os verdadeiros crentes “renascidos” daqueles que não O receberam verdadeiramente (Mateus 13:24-30). Isto é importante na compreensão da história da igreja, pois desde quase o começo falsos mestres e falsos ensinamentos invadiram a igreja, desviando as pessoas do caminho correto. Mas apesar disto, sempre houve também os verdadeiros crentes “renascidos”, que através de todas as gerações, mesmo nos períodos mais negros da idade das trevas, se agarraram firmemente às doutrinas bíblicas de salvação apenas pela graça, através somente da fé, somente em Jesus Cristo.

A segunda coisa que devemos saber para podermos compreender corretamente a história da igreja é que a palavra “católico” simplesmente significa “universal”. Isto se faz importante porque os escritos cristãos primitivos do primeiro e segundo séculos, quando o termo “católico” é usado, referem-se à “igreja universal” ou “corpo de Cristo” que é feito dos crentes “renascidos” de cada tribo, língua e nação (Apocalipse 5:9; 7:9). Entretanto, como muitas palavras através dos tempos, a palavra “católico” começou a assumir novo significado, ou veio a ser usada em um novo sentido. Através dos tempos, o conceito de uma igreja “universal” ou “católica” começou a tornar-se o conceito de que todas as igrejas eram consideradas como formando, juntas, uma igreja, não apenas espiritualmente, mas também visivelmente, estendendo-se através do mundo. Este mal entendimento da natureza da igreja visível (que sempre teve “joio e trigo” e a igreja invisível (o corpo de Cristo que é feito apenas de crentes renascidos), levaria ao conceito de uma visível Igreja Católica Santa, fora da qual não há salvação. É por causa deste mal entendimento da natureza da igreja universal que a Igreja Católica Romana se desenvolveu.

Antes da conversão de Constantino ao Cristianismo em 315 d.C., os cristãos haviam sido perseguidos pelo governo romano. Com sua conversão, o Cristianismo tornou-se uma religião permitida do Império Romano (e mais tarde tornou-se a religião oficial), e desta forma a Igreja “visível” juntou-se com o poder do governo Romano. Este casamento de Igreja e Estado levou à formação da Igreja Católica Romana, e através dos tempos fez com que a Igreja Católica Romana refinasse sua doutrina e desenvolvesse sua estrutura da forma que melhor servisse aos propósitos do governo romano. Durante este tempo, opor-se à Igreja Católica Romana era o mesmo que se opor ao governo romano, o que acarretava severas penas. Por este motivo, se alguém discordasse com alguma doutrina da Igreja Católica Romana, seria uma séria ofensa que freqüentemente levaria à excomunhão, e às vezes até a morte.

Apesar de tudo, neste momento da história havia verdadeiros cristãos “renascidos” que se levantariam e se oporiam à secularização da Igreja Católica Romana e à distorção da fé que seguiam. Através desta combinação entre Igreja e Estado, através dos tempos, a Igreja Católica Romana efetivamente silenciou aqueles que se opuseram a qualquer uma de suas doutrinas e práticas, e verdadeiramente quase se tornou uma igreja universal através do Império Romano. Havia sempre “bolsões” de resistência a algumas das práticas e ensinamentos não-bíblicos da Igreja Católica Romana, apesar de serem relativamente pequenos e isolados. Antes da Reforma Protestante, no século XVI, homens como John Wycliffe, na Inglaterra, John Huss, na então Tchecoslováquia e John of Wessel na Alemanha, todos já haviam dado suas vidas por sua oposição a alguns dos ensinamentos não-bíblicos da Igreja Católica Romana.

A oposição à Igreja Católica Romana e a seus falsos ensinamentos piorou no século XVI, quando um monge católico Romano chamado Martin Luther (Martinho Lutero) pregou suas 95 Teses contra os ensinamentos da Igreja Católica Romana na porta da igreja do castelo de Wittenbert, Alemanha. A intenção de Martinho Lutero era reformar a Igreja Católica Romana, e fazendo assim estava desafiando a autoridade do papa. Com a recusa da Igreja Católica Romana em dar ouvidos à chamada de Lutero para a reforma e retorno às doutrinas e práticas bíblicas, iniciou-se a Reforma Protestante, da qual quatro divisões ou tradições principais de Protestantismo surgiriam: Luteranismo, Reformados, Anabatistas e Anglicanos. Durante este tempo Deus levantou homens piedosos em diferentes países para, uma vez mais restaurar igrejas por todo o mundo a suas origens bíblicas e a suas doutrinas e práticas bíblicas.

Junto à Reforma Protestante se assentam quatro perguntas ou doutrinas básicas, que segundo criam estes reformadores, constituíam erro por parte da Igreja Católica Romana. Estas quatro questões ou doutrinas são: Como uma pessoa é salva? Onde reside a autoridade religiosa? O que é a igreja? Qual a essência do viver cristão? Respondendo a estas perguntas, os reformadores protestantes, como Martinho Lutero, Ulrich Zwingli, John Calvin (João Calvino) e John Knox estabeleceram o que seria conhecido como as “Cinco Solas” (sola é a palavra latina para única) da Reforma. Estes cinco pontos da doutrina formam o coração da Reforma Protestante, e era por estas cinco doutrinas bíblicas essenciais que os reformadores protestantes afirmariam sua opinião contra a Igreja Católica Romana, resistindo às exigências a eles feitas para que voltassem atrás em seus ensinamentos, mesmo até ao ponto de morrer. Estas cinco doutrinas essenciais da Reforma Protestante são:

1- Sola Scriptura, somente a Escritura: afirma a doutrina bíblica de que somente a Bíblia é a única autoridade para todos os assuntos de fé e prática. As Escrituras e somente as Escrituras são o padrão pelo qual todos os ensinamentos e doutrinas da igreja devem ser medidos. Como Martinho Lutero tão eloqüentemente afirmou quando a ele foi pedido para que voltasse atrás em seus ensinamentos: “Portanto, a menos que eu seja convencido pelo testemunho das Escrituras ou pelo mais claro raciocínio; a menos que eu seja persuadido por meio das passagens que citei; a menos que assim submetam minha consciência pela Palavra de Deus, não posso retratar-me e não me retratarei, pois é perigoso a um cristão falar contra a consciência. Aqui permaneço, não posso fazer outra coisa; Deus queira ajudar-me. Amém.”

2- Sola Gratia, somente a graça (salvação somente pela graça): afirma a doutrina bíblica de que a salvação é pela graça de Deus apenas, e que nós somos resgatados de Sua ira apenas por Sua graça. A graça de Deus em Cristo não é meramente necessária, mas é a única causa eficiente da salvação. Esta graça é a obra sobrenatural do Espírito Santo que nos traz a Cristo por nos soltar da servidão do pecado e nos levantar da morte espiritual para a vida espiritual.

3- Sola Fide, somente a fé (salvação somente pela fé): afirma a doutrina bíblica de que a justificação é pela graça somente, através da fé somente, por causa somente de Cristo. É pela fé em Cristo que Sua justiça é imputada a nós como a única satisfação possível da perfeita justiça de Deus.

4- Solus Christus – somente Cristo: afirma a doutrina bíblica de que a salvação é encontrada somente em Cristo e que unicamente Sua vida sem pecado e expiação substitutiva são suficientes para nossa justificação e reconciliação com Deus o Pai. O evangelho não foi pregado se a obra substitutiva de Cristo não é declarada, e a fé em Cristo e Sua obra não é proposta. 

5- Soli Deo Gloria, glória somente a Deus: afirma a doutrina bíblica de que a salvação é de Deus, e foi alcançada por Deus apenas para Sua glória. Isto demonstra que como cristãos devemos glorificar sempre a Ele, e devemos viver toda a nossa vida perante a face de Deus, sob a autoridade de Deus, e somente para sua glória.

Estas cinco importantes e fundamentais doutrinas são a razão da Reforma Protestante. Estão no coração do erro doutrinário da Igreja Católica Romana, e por que a Reforma Protestante se fazia necessária para fazer com que as igrejas através do mundo voltassem às doutrinas e ensinamentos bíblicos corretos. São tão importantes hoje em avaliar a igreja e seus ensinos quanto eram no passado. De muitas formas, grande parte da cristandade protestante precisa ser desafiada a retornar a essas doutrinas fundamentais de fé, da mesma forma que os reformadores desafiaram a Igreja Católica Romana no século XVI.

Fonte: GotQuestions

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Breve guia de sobrevivência religiosa

Por Ricardo Gondim
Suspeite de quem consegue exibir ares de piedade. Quanto mais afetada uma espiritualidade, maiores chances de ser falsa. Alguns aprendem a arquear as sobrancelhas para baixo como jeito de expressar elevada pureza; esses são perigosíssimos. Prefira os mais soltos, os menos requintados, os pouco cientes de suas virtudes. Gente desarmada é melhor companhia que circunspectos sisudos; eles se arrastam pela vida com chumbo nos pés, e puxam para baixo todos os que se aproximam deles.

Evite sentar na roda de quem exige exatidão semântica até na hora da conversa fiada. Nada mais intolerável do que conviver com quem adora corrigir as virgulas. Se alguém diz, vou à igreja, ele dispara: “a igreja somos nós, não um prédio”. Se confessa, ando desanimado, ele engatilha um versículo: “mas os que esperam no Senhor renovam as suas forças”. Chatos religiosos são os piores.

Apure, rigorosamente, todo relato de milagre. Escolha ser cético a simplório. A verdade não teme análise, questionamento, suspeita. Indague também pelas motivações. Confira os fatos, mas queira também saber os porquês por detrás dos relatórios sobre grandes eventos. Dúvida faz bem à fé. Os fantásticos geralmente mentem. Exageros, prodígios fenomenais e números evangelásticos, em sua esmagadora maioria, se prestam a robustecer os músculos financeiros de algum narcisista. Toda a pretensão messiânica depende de hipérboles. Igreja ou agência missionária que não se contenta com o serviço despretensioso deve ser mantida sob grossas lentes. A correria por elogio, a busca por admiração e o esforço por alcançar os primeiros lugares merecem desdém.

Nunca hesite: mentes sórdidas se escondem sob o manto de um rigor moralista. Quem passa muito tempo se exasperando contra os pecados da carne, não se engane, é escravo da lascívia. E faz tempo. Rigidez puritana não abranda o fogo da cupidez. Só o acirra. As taras mais grotescas – sadismo, estupro, pedofilia – dependem de ambientes austeros e probos. Os que conseguem viver uma sexualidade lúdica adoecem menos. Lei não tem valor algum contra uma libido adoecida.

Faça qualquer coisa – fuja, esconda-se, dê o fora, encontre um escape – para evitar os tapetes azuis do poder. Se for nomeado síndico, presidente de honra da quermesse ou venerando líder da igreja, considere: tais perigos são avassaladores. O poder se insinua aos poucos. Portanto, abra mão de ostentar título em cartão de visita, ou no perfil das redes sociais. Placa de bronze, acrílico, papelão, diploma e medalha, não passam de confetes. Tais bobagens viram lixo na quarta-feira de cinzas da existência. Brigue para não ser tratado com deferência artificial. Caminhe para longe das armadilhas dos bajuladores. Além de toscas, elas escondem punhais.

Desenvolva uma espiritualidade não exibida. Evite tocar trombeta sobre seus predicados. Sejam outros os lábios que te exaltam. Não creia na publicidade que você patrocinar. Não hesite em reconhecer seus tropeções e seja econômico em alardear suas virtudes. Corra da companhia dos pernósticos, eles adoram se gabar sobre os galardões que fingem ser donos. Prefira a discrição.

Desconfie de quem atira pedra com facilidade. Viva longe dos que procuram mostrar-se inoxidáveis. Esses dissimulados nunca vacilam na hora de sacrificar. Basta enxergarem alguma vantagem e lhe entregarão “ao deus dos severos castigos“. Quando parece conveniente, os mais venerandos não piscam duas vezes em defender os rigores da lei. Aliás, todo castismo contém algum mau-caratismo. Corra de quem se ufana dono de nervos de nylon. Rejeite a todo custo sentar na roda dos puríssimos.

Cuidado para nunca oferecer as costas ao chicote do demagogo. Ele jamais soletra misericórdia. Seu prazer, com traços mórbidos, consiste em expor. E depois que fere, gosta de contemplar agonias. Esse é o jeito do santarrões se purgarem. Sem compaixão, fazem tudo para lhe arrastar para a lama em que vivem. Nunca se exponha a quem se enxerga como zelador da sala do trono de Deus. Eles acendem fogueiras com lenha verde. Não hesitam um segundo em expor e arruinar – sempre em nome da santidade, claro. Lembre-se: no meio de gente assim, o juízo triunfa sobre a misericórdia.

Proteja as costas. Jamais esqueça: Jesus foi traído por religiosos. Seja prudente e arisco como as serpentes. Lobos devoradores tentam passar por ovelhas cordiais. Não fale sobre a sua interioridade sem antes certificar-se de que está entre seus pouquíssimos amigos – companheiros de ministério e traidores se misturam (lembre-se de Judas). Quanto mais austero e probo o grupo, mais chance dele já estar manipulado por algum inescrupuloso. Insisto, caso precise abrir a interioridade, certifique-se: o outro consta entre os amigos que você pode contar nos dedos da mão? Não se exponha diante de quem coloca a instituição, a teologia, ou a reputação denominacional, antes da vida. Melhor abrir o coração, de joelhos, com a porta do quarto trancada. Converse a sós com Deus. Ainda assim, muito cuidado: as paredes também ouvem.

Fique na companhia dos vulneráveis, dos pecadores, dos que se mostram agradecidos pela vida. Religiosos, sepulcros caiados, são sorvedouros da espontaneidade, da vida, da alegria. Opte por ambientes simples, menos protocolares. Em mesas pudicas, sobram preconceito, não-me-toques e dondoquices. Cante sem medo – desafinar faz parte. Dance sem receio de pisar os cadarços. Não se impressione com gritos. O cenho franzido da gerontocracia eclesiástica não passa de inveja. Beba seu vinho com singeleza ao lado de gente querida. Brinque mais. E guarde sempre essa verdade: Deus gosta de nos ver felizes.

Soli Deo Gloria

Imperfeitos não acomodados

Somos imperfeitos mas não devemos admirar ou nos acomodar a essa imperfeição. Jesus é a nossa perfeição e alvo da nossa vocação. É nEle que somos dia-a-dia moldados e aperfeiçoados. 

Que diremos, pois? Permaneceremos no pecado, para que seja a graça mais abundante? De modo nenhum! Como viveremos ainda no pecado, nós os que para ele morremos? Ou, porventura, ignorais que todos nós que fomos batizados em Cristo Jesus fomos batizados na sua morte? Romanos 6:1-3

Sobre os hábitos e o caráter, creio que não devemos descambar: seja para a ilusão e vaidades de nossos melhores dias, seja na apatia e irresponsabilidade da conformação com esse mundo, nem tampouco para o desespero e depressão dos piores dias pois, somos perdoados dos nossos pecados. Em qualquer um desses extremos perdemos centralidade de Cristo e da confiança em Deus. 

É exatamente essa tensão criada por nossa imperfeição diante da perfeição de Cristo e a graça liberada por ele, que nos leva a uma contínua vida de dependência do Senhor, livres da concupiscência e dos desatinos de nossa alma.
Alex Cosmo

do Facebook em 23 de Setembro de 2013

TENTAÇÕES DA MISSÃO INTEGRAL E DO SE OPOR A ELA

Por Antônio Carlos Costa

A pregação do evangelho acompanhada de ensino sólido, que mostre as implicações político-sociais do cristianismo, pode liberar energia capaz de levar cristãos verdadeiros a lutarem tanto contra totalitarismo de direita, quanto contra totalitarismo de esquerda. E isso a partir da mais alta motivação possível: a glória de Deus. 

1. Ignorar o chamado à evangelização do mundo. 

Obsessão com a injustiça social em detrimento da preocupação com a injustiça pessoal. A primeira, inviabiliza a relação do homem com o seu semelhante. A segunda, inviabiliza a relação do homem com o seu Criador. 

2. Perder de vista o fato de que o pobre é pecador.

A pobreza não é virtude. Não torna o ser humano imune ao pecado. Responsabilidade diminuída não é o mesmo que responsabilidade eliminada.

3. Relativizar o aspecto privado da ética cristã.
Vivi muito essa tentação. Você chega de uma favela na qual dez foram executados. Descobre na cidade esquema de corrupção que sangra os cofres públicos e impede verba pública de chegar às áreas carentes. Percebe o lado hediondo do sistema econômico. Toma conhecimento das relações de poder. A vontade é de circunscrever o pecado a apenas esse tipo de maldade monumental. 

4. Tornar-se marxista.

O marxismo é uma religião secular profundamente atraente para o militante da missão integral. Por falar muito em injustiça social, pode levar o cristão sincero a não perceber que o que prescreve como solução aos males do capitalismo não é tão bom quanto à crítica que faz às injustiças do capitalismo. Nunca devemos nos esquecer do fato que o marxismo vê Cristo, moral cristã, céu, Bíblia, igreja, culto, como frutos de relações econômicas sem nenhum fundamento na realidade dos fatos. Jogo de poder puro. Os detentores do poder usando a religião para justificar a opressão do trabalhador. Marx se enganou. Weber o corrigiu. A pregação do evangelho acompanhada de ensino sólido, que mostre as implicações político-sociais do cristianismo, pode liberar energia capaz de levar cristãos verdadeiros a lutarem tanto contra totalitarismo de direita, quanto contra totalitarismo de esquerda. E isso a partir da mais alta motivação possível: a glória de Deus.   

5. Pregar de modo soberbo e amargo.

Viver a insultar quem pensa de modo diferente, julgar que quem não vê a vida em termos de luta de classe trabalha para o sistema de exploração do pobre, desmerecer o trabalho de crentes fiéis que ainda não entenderam os pressupostos teológicos da missão integral. Cuspirem no próprio prato, pois muitos foram levados a Cristo por pregadores que nada sabiam sobre missão integral.

6. Pastorear igreja que não cresce e não se perturbar com isso.

Chegar à conclusão que a igreja não aumenta em número porque sua mensagem representa verdadeiro golpe nas ambições da burguesia, quando na verdade a igreja deixou de batizar pessoas pelo fato de o pregador não anunciar mais o evangelho, deixando de conclamar a igreja a levar as boas novas aos que não sabem para aonde vão depois da morte.

7. Usar o púlpito para falar desmedidamente sobre política.

Tornar-se monotemático. Mandar no culto de domingo mensagem para a classe governante. Falar sobre o que pouco conhece. Deixar de pregar expositivamente. Permitir que a pregação seja mais pautada pelo jornal do que pela Bíblia.

8. Acreditar que pelo fato de pregar sobre o pobre, está servindo ao pobre.

Dar voz a quem não conhece. Falar sobre pobreza sem estar na favela. Pregar mensagem que nem o pobre entende. Deixar o pobre só, nas ocasiões em que ficar do lado dele representa risco de vida.

9. Envolver-se com política partidária.
Essa é uma coisa que o membro da igreja pode fazer. Mas, como fica a vida de um pregador que usa da sua influência para levar pessoas a aderirem ao seu partido político numa igreja na qual pessoas das mais diferentes linhas ideológicas congregam? Como evitar que seu compromisso com a justiça não seja contaminado pela sua preferência partidária?

10. Ser mais versado em ciência política do que em teologia sistemática

A igreja espera ter como pastor um pregador bom de Bíblia. Capaz de fazer leitura sobre as demais disciplinas do pensamento a partir do enquadramento intelectual da boa teologia sistemática, que tem a teologia bíblica como fundamento. Se a sua paixão é ciência política e não a exposição das Escrituras, largue o púlpito, pois nem só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus.


TENTAÇÕES DO SE OPOR A MISSÃO INTEGRAL

1. Ignorar o chamado à justiça social.

Obsessão com o estado de injustiça do ser humano em detrimento da preocupação com o estado de injustiça da sociedade. Procurar encher o céu que Deus criou para o homem, mas ignorar o inferno que o homem criou para si mesmo. Falar em edificar o reino de Cristo, enquanto os membros da igreja vivem em cidades tornadas em reino do Diabo. Preferir contratar segurança particular para impedir que carros sejam roubados durante o culto a pressionar o poder público a fim de que implemente políticas públicas que diminuirão a criminalidade. 

2. Perder de vista o fato de que o pobre deve ser objeto principal da misericórdia da igreja.

Evangelização que não leva o convertido a se compadecer dos seres humanos que mais sofrem e que no seu sofrimento nada podem fazer para se livrarem dos seus infortúnios, significará, sempre, transformar a igreja em escola de boas maneiras, congregação de andróides, lugar que o jovem rico procurará após ter sido despedido por Cristo. 

É miopia histórica profunda e grave falta de conhecimento das Escrituras não compreender que a pobreza é, na maioria das vezes, fruto da injustiça social. Igreja que não se compadece do necessitado está servindo a Satanás travestido de Cristo.
3. Relativizar a dimensão pública da ética cristã.

Não compreender que tolerar o regime da escravidão é tão hediondo quanto maltratar o escravo. Dar-se por satisfeito por dar o dízimo, não ter amante, levar Júnior ao judô, ser abstêmio; mas, apoiar o Nazismo, ser a favor do Aparthaid, tolerar a supressão dos direitos civis dos negros, ficar mudo quando o Estado permite que seus policiais morram em missões inúteis e não gritar “não matarás!” em ocasiões nas quais a polícia pratica a rodo execuções extrajudiciais. Por que a turma da “lei e ordem” não protestou quando policiais paulistas mataram 19 moradores de periferia, no ano passado, em Osasco? 

4. Ser refratário às críticas que a esquerda faz ao nosso modelo de sociedade.

Fugir de Marx para ser abraçado por Hayek. Denunciar quem apoia Hugo Chaves, mas ficar mudo quando James Dobson e Wayne Grudem apoiam Donald Trump. 

Esquecer-se do fato que Karl Marx começa a criticar o modelo capitalista, num contexto no qual mulheres e crianças trabalhavam 17 horas por dia nas fábricas da Inglaterra protestante. 

Não definir quanto do marxismo uma pessoa precisa crer para ser considerada marxista. Fugir do modelo bolivariano para abraçar o modelo neoliberal. 

Como negar que jamais uma nação foi edificada sem a exploração da mão de obra do trabalhador? Como pastores podem aceitar acriticamente modelo político-econômico que destrói a família, faz pessoas envelhecerem antes do tempo, saqueia a alma? Relação trabalhista análoga a que encontramos nos dias de Moisés: “Eles estão falando sobre libertação porque têm tempo para pensar. Aumentem o trabalho deles! Exijam que produzam mais! Que eles não respirem!” Mente extenuada é também oficina do Diabo.

Como negar o fato de que pastores, teólogos, jornalistas, escritores, podem estar trabalhando para os detentores do poder econômico, justificando a exploração? Exercendo tamanha influencia sobre a cultura a ponto de tornar os prisioneiros preocupados em manter intactas as paredes do cárcere a fim de não escaparem da prisão. A igreja pode transformar sua mensagem em narcótico do povo. 

Tenho pena do pregador que é a favor da manutenção do sistema de exploração por depender das ofertas de quem ameaça sair da igreja caso ele condene do púlpito o regime de escravidão velada, comandado pelo rico. Não há a mínima dúvida de que denominações inteiras e mantenedores do estrangeiro podem exercer a mesma pressão sobre blogueiros, professores de seminário, escritores, palestrantes, pastores. Que covardia. 

5. Pregar com soberba e amargura.

Viver a insultar quem pensa de modo diferente, julgar que quem não vê a vida em termos de – economia de mercado irrestrita, não regulada, não democrática, não preocupada com o meio ambiente, não desejosa de tirar o destino do país das mãos de governantes eleitos pelo povo para o colocar nas mãos dos donos das grandes corporações cujo objetivo é o lucro-, é ingênuo e colabora para o colapso da economia. Como se aumento da renda fosse tudo e chegar ao posto de sétima economia do mundo garantisse por si só a promoção da igualdade de oportunidade de vida para todos. 

Combatem o Estado de bem-estar social, como se fosse possível o oceano de garotos pobres das favelas erguerem-se por conta própria sem a ajuda do poder público. Aí dirão: “Essa é a tarefa da sociedade, não do Estado!” Qual igreja dá conta do sertão do nordeste e das favelas do Rio e São Paulo? Quantas estão interessadas nesse tipo de coisa? A maioria? 

Tornar o ambiente da igreja impossível para quem tem uma mentalidade mais europeia do que americana. Fechar as portas para jovens que têm formação em sociologia, antropologia, ciência política; muitos dos quais incapazes de se imaginarem vivendo em igrejas tão ingenuamente cooptadas por um conservadorismo de direita, que nenhuma ginástica exegética consegue encontrar na Bíblia.

Cuspirem no próprio prato, pois os benefícios civis, políticos e sociais de que gozam são frutos de lutas travadas por homens e mulheres que impediram que esse mundo se tornasse tão mau quanto poderia ser. 

6. Pastorear igreja que não cresce ou cresce de modo adoecido e não se perturbar com isso.

Chegar à conclusão que a igreja não aumenta em número porque seu evangelho é puro, ignorando o fato de que a igreja deixou de batizar pessoas em razão de o pregador anunciar mais lei do que graça, pensar que pregar a Bíblia é o mesmo que pregar o evangelho e não perceber que a igreja está mais versada na controvérsia supralapsariana do que no caminho que leva ao céu. 
Anos de exposição bíblica -sem anunciar ao mesmo tempo o Cristo que nos protege da lei- é capaz de levar jovens a ficarem de cabelo branco, filhos de crentes sumirem da igreja e a membresia agasalhar um rancor secreto em relação a um Deus que não dá descanso à alma humana.

7. Jamais falar sobre política no culto.
Levar a igreja a acreditar que o interesse por política é e sempre será necessariamente mundano. Ignorar a responsabilidade -diante de Deus- de vivenciar o cristianismo numa democracia. Desperdiçar os recursos humanos e a liberdade política, deixando de exercer pressão pacífica e democrática nas ocasiões nas quais o poder público não se mantém sujeito à autoridade constituída por Deus num regime democrático, o povo, cuja vontade é expressa através das leis do país.
Em suma, é pregar sem ter a Bíblia numa das mãos e o jornal na outra. É o país estar ameaçado por grave conflito civil, o tecido social se corroendo, a democracia entrando em colapso, membros da igreja sofrendo pressões infernais no ambiente de trabalho, cristãos sem saberem se participam de uma greve geral; e o pregador não parar a série de mensagens sobre o pedobatismo.

8. Não ver pobre na Bíblia.

Ignorar que não foi Karl Marx, mas Calvino quem disse:

“Cresce a audácia aos ricos, porque aqueles a quem sobrepujam são destituídos de todo recurso. Contudo… quando do lado dos homens nenhuma defesa tenha o pobre, a vingança de Deus mais pronta e aparelhada lhe está”. 

“Eis como fazem os ricos frequentemente, espreitam as ocasiões, a fim de reduzir à metade o ganho da pobre gente, quando não tem em que empregar-se”.

“Quando, pois, tem um homem alguns a seu serviço, deve ele considerar: se eu tivesse no lugar deles, como gostaria de ser tratado?”

“Ora, pois que assim é, quando os pobres que tenhais empregado em obra vossa, e que tenham posto seu labor, seu suor e seu sangue a vosso serviço, não tenham sido assalariados como convém, e não os tenhais confortado e sustentado, se a Deus vingança pedem contra vós, quem vos será procurador, ou advogado, que vos possa livrar?”.

“Ofício próprio de Deus é tomar a causa dos pobres”.

“Nosso Deus… se constitui devedor em lugar do pobre para retribuir-nos de uma vez com amplos juros tudo quanto lhe damos”.

 Ter como referência pregadores europeus e americanos do passado, e não o próprio Cristo, que é visto nas ruas curando, libertando e anunciando o evangelho aos pobres.

9. Ser apartidário.

Trocar a ação suprapartidária pela criminalização da política. Esquecer-se que quem não gosta de política é governado por quem gosta. Ser seletivo nas denúncias que faz contra os partidos políticos. Não estimular com fervor os jovens da igreja a se candidatarem, da mesma forma que o faz quando cobra que se envolvam com a manutenção do funcionamento da máquina eclesiástica.

10. Ser bom em teologia sistemática, mas não ser profeta.

Conhecer o sistema teológico. Ter memória enciclopédica. Mas, mostrar-se incapaz de relacionar a doutrina às realidades concretas da vida das pessoas. Levar ao inferno os jovens da igreja por causa de sexo, mas não dizer ao rico que se ele continuar tão rico quanto era antes de se tornar membro da igreja, estará dando evidência de que jamais nasceu de novo. 

Para ser sincero, vejo esses males, aos quais todo e qualquer membro de igreja evangélica no país está exposto, mais presentes e disseminados no protestantismo brasileiro do que os que mencionei no último artigo, no qual falei sobre as tentações da missão integral. 

Em suma, você e eu temos muito do que nos arrepender. A igreja precisa de reforma e avivamento. Retorno às Escrituras e à verdadeira vida cristã, que somente dedica lealdade incondicional a Cristo.
Por Antônio Carlos Costa

A segunda maior coisa do mundo?


Sabe qual é a segunda maior coisa do mundo?
– O pecado. 

Isaías 59:1-2
Eis que a mão do SENHOR não está encolhida, para que não possa salvar; nem surdo o seu ouvido, para não poder ouvir.

Mas as vossas iniqüidades fazem separação entre vós e o vosso Deus; e os vossos pecados encobrem o seu rosto de vós, para que vos não ouça.

Atos 3:19

Arrependei-vos, pois, e convertei-vos para serem cancelados os vossos pecados,

A PRIMEIRA maior coisa do mundo (disparada) é o amor de Deus e sua graça liberada por intermédio do sacrifício de Cristo na cruz. 

Romanos 5:20-21

Sobreveio a lei para que avultasse a ofensa; mas onde abundou o pecado, superabundou a graça, a fim de que, como o pecado reinou pela morte, assim também reinasse a graça pela justiça para a vida eterna, mediante Jesus Cristo, nosso Senhor.

Numa parábola moderna, seria “tipo” o Andre de Grasse no papel do pecado e o Usain Bolt no papel amor graça de Deus. Claro, o amor de Deus infinitamente mais disparado que o Bolt! 

Romanos 8:37-39

Em todas estas coisas, porém, somos mais que vencedores, por meio daquele que nos amou. Porque eu estou bem certo de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as coisas do presente, nem do porvir, nem os poderes, nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor.

Inspirado numa meditação de Billy Graham

#JeSuSmudaTUdo

TRÊS DIAS PARA VER


Helen Keller

Três dias para ver. O que você olharia se tivesse apenas três dias de visão? Helen Keller, cega e surda desde bebê, dá a sua resposta neste belo ensaio, publicado no Reader’s Digest (Seleções):

“Várias vezes pensei que seria uma benção se todo ser humano, de repente, ficasse cego e surdo por alguns dias no princípio da vida adulta. As trevas o fariam apreciar mais a visão e o silêncio lhe ensinaria as alegrias do som.”

De vez em quando testo meus amigos que enxergam para descobrir o que eles vêem. Há pouco tempo perguntei a uma amiga que voltava de um longo passeio pelo bosque o que ela observara. “Nada de especial”, foi à resposta. Como é possível, pensei, caminhar durante uma hora pelos bosques e não ver nada digno de nota? Eu, que não posso ver, apenas pelo tacto encontro centenas de objetos que me interessam. Sinto a delicada simetria de uma folha. Passo as mãos pela casca lisa de uma bétula ou pelo tronco áspero de um pinheiro.

Na primavera, toco os galhos das árvores na esperança de encontrar um botão, o primeirosinal da natureza despertando após o sono do inverno. Por vezes, quando tenho muita sorte, pouso suavemente a mão numa arvorezinha e sinto o palpitar feliz de um pássaro cantando.

Às vezes meu coração anseia por ver tudo isso. Se consigo ter tanto prazer com um simples toque, quanta beleza poderia ser revelada pela visão! E imaginei o que mais gostaria de ver se pudesse enxergar, digamos por apenas três dias.

Eu dividiria esse período em três partes. No primeiro dia gostaria de ver as pessoas cuja bondade e companhias fizeram minha vida valer a pena. Não sei o que é olhar dentro do coração de um amigo pelas “janelas da alma”, os olhos. Só consigo “ver” as linhas de um rosto por meio das pontas dos dedos. Posso perceber o riso, a tristeza e muitas outras emoções. Conheço meus amigos pelo que toco em seus rostos.

Como deve ser mais fácil e muito mais satisfatório para você, que pode ver, perceber num instante as qualidades essenciais de outra pessoa ao observar as sutilezas de sua expressão, o tremor de um músculo, a agitação das mãos. Mas será que já lhe ocorreu usar a visão para perscrutar a natureza íntima de um amigo? Será que a maioria de vocês que enxergam não se limita a ver por alto as feições externas de uma fisionomia e se dar por satisfeita?

Por exemplo, você seria capaz de descrever com precisão o rosto de cinco bons amigos? Como experiência, perguntei a alguns maridos qual a exata cor dos olhos de suas mulheres e muitos deles confessaram, encabulados, que não sabiam.

Ah, tudo que eu veria se tivesse o dom da visão por apenas três dias! O primeiro dia seria muito ocupado. Eu reuniria todos os meus amigos queridos e olharia seus rostos por muito tempo, imprimindo em minha mente as provas exteriores da beleza que existe dentro deles. Também fixaria os olhos no rosto de um bebê, para poder ter a visão da beleza ansiosa e inocente que precede a consciência individual dos conflitos que a vida apresenta. Gostaria de ver os livros que já foram lidos para mim e que me revelaram os meandros mais profundos da vida humana. E gostaria de olhar nos olhos fiéis e confiantes de meus cães, o pequeno scottie terrier e o vigoroso dinamarquês. À tarde daria um longo passeio pela floresta, intoxicando meus olhos com belezas da natureza. E rezaria pela glória de um pôr-do-sol colorido. Creio que nessa noite não conseguiria dormir.

No dia seguinte eu me levantaria ao amanhecer para assistir ao empolgante milagre da noite se transformando em dia. Contemplaria assombrado o magnífico panorama de luz com que o Sol desperta a Terra adormecida. Esse dia eu dedicaria a uma breve visão do mundo, passado e presente. Como gostaria de ver o desfile do progresso do homem, visitaria os museus. Ali meus olhos veriam a história condensada da Terra — os animais e as raças dos homens em seu ambiente natural; gigantescas carcaças de dinossauros e mastodontes que vagavam pelo planeta antes da chegada do homem, que, com sua baixa estatura e seu cérebro poderoso, dominaria o reino animal. Minha parada seguinte seria o Museu de Artes. Conheço bem, pelas minhas mãos, os deuses e as deusas esculpidos da antiga terra do Nilo. Já senti pelo tacto as cópias dos frisos do Paternon e a beleza rítmica do ataque dos guerreiros atenienses. As feições nodosas e barbadas de Homero me são caras, pois também ele conheceu a cegueira. Assim, nesse meu segundo dia, tentaria sondar a alma do homem por meio de sua arte. Veria então o que conheci pelo tacto. Mais maravilhoso ainda, todo o magnífico mundo da pintura me seria apresentado. Mas eu poderia ter apenas uma impressão superficial. Dizem os pintores que, para se apreciar a arte, real e profundamente, é preciso educar o olhar. É preciso, pela experiência, avaliar o mérito das linhas, da composição, da forma e da cor. Se eu tivesse a visão, ficaria muito feliz por me entregar a um estudo tão fascinante. À noite de meu segundo dia seria passada no teatro ou no cinema. Como gostaria de ver a figura fascinante de Hamlet ou o tempestuoso Falstaff no colorido cenário elisabetano! Não posso desfrutar da beleza do movimento rítmico senão numa esfera restrita ao toque de minhas mãos. Só posso imaginar vagamente a graça de uma bailarina, como Pavlova, embora conheça algo do prazer do ritmo, pois muitas vezes sinto o compasso da música vibrando através do piso. Imagino que o movimento cadenciado seja um dos espetáculos mais agradáveis do mundo. Entendi algo sobre isso, deslizando os dedos pelas linhas de um mármore esculpido; se essa graça estática pode ser tão encantadora, deve ser mesmo muito mais forte a emoção de ver a graça em movimento.

Na manhã seguinte, ávida por conhecer novos deleites, novas revelações de beleza, mais uma vez receberia a aurora. Hoje, o terceiro dia, passarei no mundo do trabalho, nos ambientes dos homens que tratam do negócio da vida. A cidade é o meu destino. Primeiro, paro numa esquina movimentada, apenas olhando para as pessoas, tentando, por sua aparência, entender algo sobre seu dia-a-dia. Vejo sorrisos e fico feliz. Vejo uma séria determinação e me orgulho. Vejo o sofrimento e me compadeço. Caminhando pela 5ª Avenida, em Nova York, deixo meu olhar vagar, sem se fixar em nenhum objeto em especial, vendo apenas um caleidoscópio fervilhando de cores. Tenho certeza de que o colorido dos vestidos das mulheres movendo-se na multidão deve ser uma cena espetacular, da qual eu nunca me cansaria. Mas talvez, se pudesse enxergar, eu seria como a maioria das mulheres – interessadas demais na moda para dar atenção ao esplendor das cores em meio à massa. Da 5ª Avenida dou um giro pela cidade – vou aos bairros pobres, às fábricas, aos parques onde as crianças brincam. Viajo pelo mundo visitando os bairros estrangeiros. E meus olhos estão sempre bem abertos tanto para as cenas de felicidade quanto para as de tristeza, de modo que eu possa descobrir como as pessoas vivem e trabalham, e compreendê-las melhor. Meu terceiro dia de visão está chegando ao fim. Talvez haja muitas atividades a que devesse dedicar as poucas horas restantes, mas acho que na noite desse último dia vou voltar depressa a um teatro e ver uma peça cômica, para poder apreciar as implicações da comédia no espírito humano.

À meia-noite, uma escuridão permanente outra vez se cerraria sobre mim. Claro, nesses três curtos dias eu não teria visto tudo que queria ver. Só quando as trevas descessem de novo é que me daria conta do quanto eu deixei de apreciar. Talvez este resumo não se adapte ao programa que você faria se soubesse que estava prestes a perder a visão. Mas sei que, se encarasse esse destino, usaria seus olhos como nunca usara antes. Tudo quanto visse lhe pareceria novo. Seus olhos tocariam e abraçariam cada objeto que surgisse em seu campo visual.

Então, finalmente, você veria de verdade, e um novo mundo de beleza se abriria para você. Eu, que sou cega, posso dar uma sugestão àqueles que vêem: usem seus olhos como se amanhã fossem perder a visão. E o mesmo se aplica aos outros sentidos.

Ouça a música das vozes, o canto dos pássaros, os possantes acordes de uma orquestra, como se amanhã fossem ficar surdos. Toquem cada objeto como se amanhã perdessem o tacto. Sintam o perfume das flores, saboreiem cada bocado, como se amanhã não mais sentissem aromas nem gostos. Usem ao máximo todos os sentidos; goze de todas as facetas do prazer e da beleza que o mundo lhes revela pelos vários meios de contacto fornecidos pela natureza. Mas, de todos os sentidos, estou certa de que a visão deve ser o mais delicioso”.

Fonte: http://www.lerparaver.com (Site sobre deficiência visual)

Texto: Seleções Reader’s Digest – Junho/2002

Como medita o cristão?

Bem-aventurado o homem que não anda no conselho dos ímpios, não se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores. Antes, o seu prazer está na lei do SENHOR, e na sua lei medita de dia e de noite. Salmos 1:1-2

Esse artigo é um recorte de alguns outros que achei interessante sobre esse tema. Fiz somente a compilação, os autores estão cotados ao fim de cada trecho. 

A palavra “meditação” é a uma palavra muito legal nesses dias. Todo mundo gosta de meditação. Muitos web sites sobre produtividade dizem que quando você se sente exausto é realmente útil tirar uma “pausa para meditação”. Recentemente no Programa da Oprah Winfrey (é, pois é, eu estava assistindo a Oprah) um cara chamado Dr. Oz (nenhuma relação com o mágico) disse que a meditação pode prolongar significantemente a sua via. Meditação não é apenas para os monges tibetanos vestidos de mantos de pano de saco que irritam suas axilas. Não, todo mundo ama meditação.
A verdade é: a Bíblia também fala muito de meditação. Salmo 1.2 diz que o homem que teme ao Senhor “tem o seu prazer na lei do SENHOR, e na sua lei medita de dia e de noite”. O que me leva à pergunta: o que exatamente é meditação? De acordo com a nossa cultura, meditação é o relaxamento da mente ao ponto em que pouco ou nenhum pensamento ocorre. No entanto, de acordo com a Escritura, meditação é o crescente foco da mente com a ocorrência de pensamento muito profundo. O objetivo da meditação secular é esvaziar a mente, o objetivo da meditação divina é encher a mente com a verdade de Deus. Colocando numa definição sucinta, a meditação divina é a prática de encher a mente com a palavra de Deus com o propósito de aplicar a Palavra de Deus.
Então como meditamos na Palavra de Deus? Como isso se dá na prática? Aqui estão algumas sugestões.

Medite em oração
Quando lemos a Bíblia, não estamos apenas lendo um livro – estamos lendo a sagrada Palavra de Deus. A Bíblia é a própria Palavras de Deus, dada a nós para que possamos conhecê-lo, amá-lo e obedecê-lo, o que significa que nós não podemos simplesmente entender a Bíblia sem o poder esclarecedor do Espírito de Deus. Nós precisamos abrir nossos olhos para entender e aplicar as gloriosas verdades que lemos nas Escrituras. Sem o Espírito de Deus, nossos momentos devocionais serão secos, indiferentes e infrutíferos. Antes de ler a Palavra de Deus, ore para que Deus te dê entendimento.
Medite Silenciosamente
É difícil pensar profundamente e com concentração numa passagem das Escrituras se você está cercado de distrações. Eu compreendo que esse não é o caso para todo mundo, mas, para a maioria de nós, a meditação efetiva na Palavra de Deus ocorre em lugares quietos. Se você está tentando ter seu momento devocional no meio da Starbucks, você está menosprezando a si mesmo. Eu descobri que os meus momentos de meditação bíblica mais eficientes vêm no silêncio do início da manhã, antes que meu dia comece. Salmo 131.2 diz: “Certamente que me tenho portado e sossegado como uma criança desmamada de sua mãe; a minha alma está como uma criança desmamada”. A meditação eficiente geralmente ocorre na quietude.

Medite em voz alta
Só porque você está em um lugar quieto não significa que você precisa ficar quieto. Deus fala conosco quando lemos a Escritura e é frequentemente apropriado responder em voz alta aos sussurros de Deus. Veja, por exemplo, 1 Tessalonicenses 5. 16-18 que diz “Regozijai-vos sempre. Orai sem cessar. Em tudo dai graças, porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco”. Quando leio esse versículo, quero responder em voz alta com regozijo, oração e ação de graças. A escritura não é um livro de textos secos, ela é a Palavra viva de Deus. Nós devemos interagir com as Escrituras, respondendo às suas ordenanças, regozijando em suas promessas e nos alegrando em suas revelações.

Stephen Altrogge 30/01/2013


Somos filhos da modernidade. Aprendemos a pensar, analisar, dissecar e, acima de tudo, questionar tudo. A filosofia propôs: “Penso, logo existo”, e nós acreditamos.

Acreditamos que a verdade só pode estar naquilo que a razão abarca.

Mas, em tempos passados havia outras possibilidades de perceber realidades. Podemos conhecer realidades através de outros sentidos. A percepção humana não se restringe ao racional. Através da Meditação exercita-se o espírito para que se apreendam verdades que, embora não contradigam o racional, não dependam dele.

O que é Meditação Bíblica.

Meditação é uma prática devocional de “ficar” com um texto das Escrituras até que ele seja absorvido por todo o ser; é uma disciplina pela qual o coração intui dimensões mentalmente imperceptíveis da revelação de Deus.

Através da meditação bíblica, o Espírito Santo descortina mistérios eternos. 

Pode-se dizer que meditação é o processo digestivo que alimenta a alma do pão do céu.

Jeremias 15.16: Quando as tuas palavras foram encontradas, eu as comi; elas são a minha alegria e o meu júbilo, pois pertenço a ti,Senhor Deus dos Exércitos.

Aliás, essa metáfora de “comer a palavra” está amplamente relatada na Bíblia hebraica:

Ezequiel 3. 1-3: E ele me disse: “Filho do homem, coma este rolo; depois vá falar à nação de Israel”. Eu abri a boca, e ele me deu o rolo para eu comer. E acrescentou: “Filho do homem, coma este rolo que estou lhe dando e encha o seu estômago com ele”. Então eu o comi, e em minha boca era doce como mel.

Através da meditação bíblica é possível ultrapassar a análise cartesiana do texto para que ele alimente a alma.

João 6. 63 O Espírito dá vida; a carne não produz nada que se aproveite. As palavras que eu lhes disse são espírito e vida.

Quanto maior a disciplina de ponderar nas Palavras de Deus, maior a capacidade de receber o que ele tem para dizer. Suas palavras são espírito e vida. Obviamente, precisamos exercitar o espírito para se alcançar o significado espiritual das palavras.

Deus ajuda quando admito que minha capacidade humana é insuficiente para cumprir sua vontade e optar por caminhos excelentes, .

 Meditação Bíblica é uma disciplina que ajuda o coração a preparar-se para ouvir o inaudível, perceber o imperceptível e alcançar o imarcescível.

1Coríntios 2.9-12: “Olho nenhum viu, ouvido nenhum ouviu, mente nenhuma imaginou o que Deus preparou para aqueles que o amam”, mas Deus o revelou a nós por meio do Espírito.O Espírito sonda todas as coisas, até mesmo as coisas mais profundas de Deus. Pois, quem conhece os pensamentos do homem, a não ser o espírito do homem que nele está? Da mesma forma, ninguém conhece os pensamentos de Deus, a não ser o Espírito de Deus. Nós, porém, não recebemos o espírito do mundo, mas o Espírito procedente de Deus, para que entendamos as coisas que Deus nos tem dado gratuitamente”.

A meditação bíblica é uma admissão que Deus é maior do qualquer especulação.

Ora, se Deus fosse explicável pela mente humana, ele seria menor do que os próprios homens. Ele transcende qualquer abordagem e através da meditação bíblica eu abro mão de toda tentativa de explaná-lo.

Paulo, depois de haver escrito um tratado teológico denso e complicado que foi sua carta aos Romanos, parou e simplesmente dobrou-se diante da grandeza de Deus:

Romanos 11.33-36: “Ó profundidade da riqueza da sabedoria e do conhecimento de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos e inescrutáveis os seus caminhos! Quem conheceu a mente do Senhor? Ou quem foi seu conselheiro? Quem primeiro lhe deu, para que ele o recompense? Pois dele, por ele e para ele são todas as coisas. A ele seja a glória para sempre! Amém”.

A meditação bíblica é uma disciplina que ajuda a se perceber as “entrelinhas” do texto.

Quando lemos um texto, não percebemos tudo o que está escrito nele. Por esse motivo, uma carta que chega de alguém que muito amamos é lida e relida várias vezes. Por que um namorado lê tanto uma mesma carta? Porque deseja entender o espírito, o semblante e as emoções com que sua amada escreveu.

Salmos 119.97: “Como eu amo a tua lei! Medito nela o dia inteiro”.

Salmos 19.7-14: “A lei do Senhor é perfeita, e revigora a alma. Os testemunhos do Senhor são dignos de confiança, e tornam sábios os inexperientes. Os preceitos do Senhor são justos, e dão alegria ao coração. Os mandamentos do Senhor são límpidos, e trazem luz aos olhos. O temor do Senhor é puro, e dura para sempre. As ordenanças do Senhor são verdadeiras, são todas elas justas. São mais desejáveis do que o ouro, do que muito ouro puro; são mais doces do que o mel,do que as gotas do favo. Por elas o teu servo é advertido; há grande recompensa em obedecer-lhes. Quem pode discernir os próprios erros? Absolve-me dos que desconheço! Também guarda o teu servo dos pecados intencionais; que eles não me dominem! Então serei íntegro, inocente de grande transgressão. Que as palavras da minha boca e a meditação do meu coração”.

Soli Deo Gloria

5/07/20114 – Ricardo Gondim

Dicas Práticas 

Uma leitura da Bíblia não se deve fazer corrido, ou de qualquer maneira, veja algumas dicas:

1. Separe um tempo próprio

2. Encontre um lugar onde possa estar a sós (Ao menos que outras pessoas junto leiam, mas para se meditar, a leitura é mais proveitosa a sós, depois podendo se reunir e lerem junto novamente)

3. Para quebrar um pouco o cansaço mental, cante um louvor (coloque algo e cante junto)

4. Peça a Deus que sonde seu coração

5. Ore, peça a Deus que lhe dê entendimento da palavra

Veja alguns métodos de se estudar e uma leitura proveitosa da Bíblia:

● Ler detalhadamente e cuidadosamente (6 vezes mais ou menos) o texto, ou versículo e estar atento a pontuação.

Faça perguntas ao texto ou versículo:

• O que o texto ensina a respeito de Deus, ou de Jesus, ou do Espírito Santo?

Lembrando que isso facilita, pois o que o texto tem a passar, se fala sobre o Deus Pai Criador, O Filho Salvador, ou O Espírito O Consolador que habita em nós.

• Existe no texto algum pecado revelado, que eu deva revelar, confessar ou evitar? (Estou pecando, ou sendo tentado se o texto cita algum pecado?)

• Existe alguma promessa que eu deva reivindicar? (Existe algo que Deus prometa para aqueles que o servem?)

• Existe algum mandamento que eu deva obedecer? (É algo que eu preciso obedecer?)

• Existe algum exemplo que eu deva seguir? (é uma situação semelhante com a minha, ou o exemplo da pessoa no texto)

• Existe algo que foge do meu entendimento que eu deva estudar mais tarde? (algo que não entendi agora, mas estudarei com mais calma esse assunto, ou perguntarei alguém que sabe me explicar)

• Existe neste texto alguma coisa pela qual eu deva orar? (é algo que está acontecendo, ou acontece até hoje, para que eu ore nesse sentido?)

• Como posso aplicar em minha vida? (O que aprendo com esse texto, para aplicar em minha vida)

• O que devo fazer para atingir estes objetivos? (o que impende de eu aplicar em minha vida, ou até mesmo será a falta de disciplinar meu tempo, para estudar a Bíblia mais vezes?)

Depois disso, agradeça a Deus por aquilo, que Ele lhe mostrou em sua palavra.
Assuma um compromisso com o que aprendeu, ou seja, colocar em prática.

Peça ao Espírito Santo que o capacite.

Se quisermos que Deus fale conosco é através de Sua palavra, se queremos crescer espiritualmente é meditar em Sua palavra. Que o Senhor possa capacitar a cada um, e se dedique em aprender e refletir pelo menos uns 15 minutos por dia. Pois a Bíblia muito mais que ler é crescer em fé e fortalecimento, pois com a leitura nossa fé aumenta, pois começamos ver o mover de Deus, o que Ele tem feito. Que o Espírito Santo possa mover em seus corações.

Jesus, porém, respondendo, disse-lhes: Errais, não conhecendo as Escrituras, nem o poder de Deus. (Mateus 22:29

Oton G. Cesar 

6 problemas de comportamento do seu filho que você não deve ignorar

Artigo interessante da Pais&Filhos de  14.09.2015  

SEIS MAUS COMPORTAMENTOS QUE VOCÊ PODE SER TENTADO A IGNORAR – E COMO COLOCAR UM FIM NELES

1 – Interromper quando você está falando

Por que você não deveria ignorar: Seu filho pode estar incrivelmente empolgado para te contar algo ou fazer uma pergunta, mas permitir que ele entre na sua conversa não o ensina a ser atencioso com as pessoas e se ocupar quando você está ocupada. “Como resultado, ele vai pensar que sempre tem direito a ter a atenção dos outros e não será capaz de lidar com frustrações”, diz o psicólogo Jerry Wyckoff, coautor do livro “Mudando seu Filho do Não para o Sim”, em tradução livre.

Como mudar isso: Da próxima vez em que você estiver prestes a fazer uma ligação ou receber uma visita, conte ao seu filho que ele não deve te interromper. Coloque a criança para fazer uma atividade interessante e a deixe brincar com algum brinquedo que ela goste. Explique que ela não vai conseguir nada do que está pedindo enquanto estiver te interrompendo.
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2- Ser agressivo nas brincadeiras

Por que você não deve ignorar: Você sabe que você tem que entrar em ação quando o seu filho bate em alguém no meio da brincadeira, mas você não deve desconsiderar atos agressivos mais sutis, como empurrar o irmão ou beliscar um amigo. Se você não intervir, comportamentos ásperos podem se tornar um hábito. Além disso, a mensagem que fica é que ferir pessoas é aceitável.

Como mudar isso: Confronte o comportamento agressivo na hora e no local. “Isso machuca. Como você se sentiria se fizessem o mesmo com você?”. Diga a ele que qualquer ação que possa ferir outra pessoa não é permitida. Antes do próximo encontro com os amigos, lembre-o de que ele não deve ser agressivo e ajude-o sobre o que ele deve fazer quando ficar irritado.

3-  Fingir que não está ouvindo

Por que você não deve ignorar: Pedir que seu filho faça algo que ele não quer fazer duas, três ou mesmo quatro vezes, como entrar no carro ou recolher os brinquedos, passa a mensagem de que está tudo bem se ele ignorar você. “Lembrar seu filho várias vezes apenas o treina a esperar pelo próximo aviso em vez de prestar atenção logo na primeira vez”, afirma o psicólogo Kevin Leman, autor de “Mãe de primeira viagem: começando com o pé direito – do nascimento à primeira série”, em tradução livre.

Como mudar isso: Em vez de falar com seu filho do outro lado da sala, vá até ele e diga o que ele precisa fazer. Fale quando ele estiver olhando para você e espere até que ele responda. Pegar na mão dele, chamá-lo pelo nome e deligar a TV também ajudam a conseguir a atenção. Se ele te ignorar mesmo assim, imponha uma consequência que você consiga cumprir.
 Nossa foto no sexto aniversário de Ruth, em Newton, Massachussets USA

4 – Ser independente demais

Por que você não deveria ignorar: Certamente é conveniente quando seu filho pega o próprio lanche ou coloca um DVD para assistir, mas deixar que ele tenha controle das atividades que deveriam ser reguladas por você não ajuda ele a entender que precisa seguir regras. Imagina quando chegar o ponto em que ele vai visitar um amigo sem pedir sua permissão e sem avisar onde está.  

Como mudar isso: Estabeleça um pequeno número de regras da casa e fale sobre elas com frequência. Quando ele fizer algo sem sua permissão, peça e ele para fazer novamente, desta vez perguntando a você.

5- Fazer uma birrinha

Por que você não deveria ignorar: Você pode pensar que seu filho não vai revirar os olhos ou usar um tom arrogante até que seja um pré-adolescente, mas o comportamento audacioso muitas vezes começa quando ele imita as crianças mais velhas para testar a reação dos pais. Algumas pessoas ignoram porque pensam que é apenas uma fase, mas se você não lidar com isso desde cedo, pode ser que mais tarde ele tenha problema de relacionamento com você, com professores e com amigos.

Como mudar isso: Deixe seu filho consciente do próprio comportamento. Diga-lhe, por exemplo: “Quando você revira os olhos, parece que você não gosta do que eu estou dizendo”. A idéia não é fazer com que seu filho se senta mal, mas para mostrar como ele está agindo. Se o comportamento persistir, você pode se recusar a interagir: “Meus ouvidos não ouvem você quando você fala assim comigo. Quando você estiver pronto para falar gentilmente, eu vou ouvir”.

6- Aumentar a verdade

Por que você não deveria ignorar: Pode não parecer grande coisa se seu filho disser que arrumou a cama quando ele mal saiu das cobertas, ou contar a um amigo que já foi a Disney quando nunca entrou em um avião. Mas é importante confrontar qualquer tipo de atitude que não seja honesta. Mentir pode se tornar uma atitude automática se a criança aprende que é um jeito fácil de parecer mais legal, evitar fazer algo que não quer fazer ou evitar problemas por alguma coisa que já fez.

Como mudar isso: Quando ele começar a contar mentirinhas, sente com ele e ajude a definir a história certa. Diga “seria muito divertido irmos a Disney, e talvez possamos ir um dia, mas você não deveria contar a alguém que foi se ainda não foi”. Explique a ele que se ele não disser sempre a verdade, as pessoas não acreditarão mais no que ele diz. Procure descobrir qual é a motivação para ele mentir e se certifique de que ele não alcance este objetivo. Por exemplo, se ele disser que escovou os dentes sem ter escovado, faça com que ele volte e realmente escove.

TOMANDO A BACIA E A TOALHA PARA SERVIR

Quando Jesus se colocou como exemplo e desafiou os conceitos de serviço dos seus discípulos, estava propondo uma nova forma de encarar o ato de servir, bem como uma nova maneira de se relacionar entre irmãos. Estava definindo como perceber a realidade do serviço e qual a extensão desse serviço ao outro. Propunha:
(1) Apenas servir, sem olhar a quem. Era a quebra de determinados paradigmas existentes entre os seus discípulos – Não deveria estar escolhendo a quem servir mas deveria colocar o outro como alvo do meu servir. Isso é o bastante.

(2) Servir pela benção do servir, não por esperar algo em troca. É o ato de atender à necessidade do outro pela alegria de vê-lo feliz e realizado, – não porque receberei algo em troca, como se fosse um ato de barganha. Eu faço, então recebo. Fiz, por isso você me deve algo.

(3) Não se tem e nem se pode escolher serviço. Apenas servimos em obediência ao Mestre. No Reino de Deus não cabe ao servo escolher onde servir e como servir. Deve apenas estar à serviço do seu Mestre para servir onde Ele determinar.

(4) Não há mérito algum no que se faz quando serve. Se busca glórias, está no lugar errado. Se deseja elogios, a motivação está errada. Servir como ato de obediência ao Seu Mestre e como ato de adoração Àquele que designou o motivo e a motivação do servir.

(5) Servir como estilo de vida. Não é algo esporádico na vida, mas como o padrão da existência cristã. Servir como modelo, como exemplo. Ser capaz de ultrapassar conceitos e preconceitos no ato de viver servindo.

Que sejamos, a partir dos diáconos de nossa Igreja, modelos de serviço para um mundo caótico que anseia por ver pessoas sendo referenciais de vida. Que sejamos servos qualificados pelo Mestre Jesus. Que sejamos padrão para esta geração e a próxima. Que sejamos servos, vasos nas mãos do Oleiro, onde Ele possa nos moldar e utilizar para a Glória do Deus Pai.

Do seu amigo e Pastor

Gerson de Assis Perruci

Editorial pulicado no boletim da Igreja Batista das Alterosas – Domingo 08 de Novembro de 2015.

Meditando nas Escrituras em Grupo

  

3 Passos Para meditar nas Escrituras em grupo

Em pequenos grupos ou como chamamos no Aprisco, Grupos de Conexão (GC’S), podemos incentivar uns aos outros em uma série de estudos espiritual na Bíblia, a confissão, a oração, a comunhão e assim por diante. Mas como podemos em nossos GC’s ou até na vida particular, aprender como meditar na Palavra de Deus?

A leitura devocional das Escrituras, ou meditação bíblica, muitas vezes tem sido descrita como um meio caminho entre a leitura e a oração: as nossas mentes estão engajados na Palavra de Deus, mas nossas palavras vêm diretamente do nosso coração e são expressos ao nosso Pai em oração. Temos sempre repetido também o conceit de meditação como encontrar o meio ou o centro da vontade de Deus e então nós aplicar a que nossa mente e coração se ajustem e se euilibrem nisso. 
Durante séculos a meditação bíblica tem sido praticada tanto individual como comunitariamente e podemos restaurar esta prática em nossos dias de hoje. Os pais da igreja falaram de “descer com a mente para o coração”, uma frase útil para descrever a meditação bíblica. Meditação envolve a mente, orientando-o na Palavra de Deus. No meio de um milhar de preocupações e pensamentos, ele direciona nossas mentes a quietude na Palavra de Deus na sua presença. Como uma força centrípeta, meditação sobre a Escritura lentamente nos puxa para dentro, em direção ao centro da comunhão com Deus.
O melhor lugar para começar a meditação na Escritura seja individualmente ou em um grupo é com o Livro dos Salmos. É importante lembrar que os salmos foram escritos para uso congregacional; eles foram escritos para serem lidos em voz alta, cantada em voz alta, e orou em voz alta com os outros. Como *Eugene Peterson anotou uma vez, assim como um fazendeiro utiliza ferramentas para cultivar a terra e produzir culturas, que possamos usar as nossas orações para agitar os nossos corações e tornar-nos mais semelhantes a Cristo. Se nossas orações são ferramentas, em outras palavras, os Salmos são a nossa caixa de ferramentas. Deus nos deu 150, canções e orações apaixonadas ricos para a nossa vida devocional. Ao contrário de qualquer outro gênero das Escrituras, os salmos nos permitirá nos expressar, compreender os nossos corações, encontrar perspectiva para as nossas circunstâncias, e orar a Palavra de Deus de volta para ele.

Em nossa oração em grupo, podemos orar os salmos ao nosso Pai em uma poderosa forma-juntos, podemos descer com as nossas mentes em nossos corações.

Aqui estão três recomendações para tirar o máximo proveito destas orações.

Primeira Leitura: conteúdo e significado

Reúna seu grupo e introduza o tema da meditação bíblica. Antes de iniciar o seu tempo de leitura e oração, pedindo ao Senhor que abençoe o seu tempo de reflexão.

Nesta primeira leitura, leia o salmo em voz alta. Desde que foi escrito para ser lido (ou cantado) em voz alta, há provavelmente um ritmo natural e fluir para ele. A primeira vez através de, começar uma sensação para o conteúdo do salmo, e fazer uma pausa por um momento sempre que você ver a palavra Selah. 

Após a primeira leitura, levar cerca de cinco minutos para fazer perguntas básicas sobre o conteúdo eo significado do salmo:

  1.  O que era contexto original do salmo? 
  2. Foi o salmista escreve principalmente uma oração privada ou uma música congregacional? 
  3. Como você colocar a mensagem do salmo em suas próprias palavras?

Segunda Leitura: Aplicação e Meditação

Lembrar um outro que o objetivo da leitura devocional é aumentar a comunhão com Deus, e não apenas a compreensão do salmo. Com uma compreensão básica de conteúdo e significado do salmo, agora ler o salmo em voz alta novamente, desta vez mais lentamente e com pausas mais longas. Se estiver em grupo, enquanto uma pessoa lê o salmo, o resto do grupo pode acompanhar em suas Bíblias ou simplesmente fechar os olhos e ouvir. O objetivo é absorver pessoalmente a oração do salmista, tanto quanto possível. Quando você chegar a um Selah, fazer uma pausa por alguns momentos e refletir em silêncio sobre a estrofe anterior.

Após esta segunda leitura, levar de 20 a 30 minutos para discutir os movimentos do salmo de uma forma mais pessoal perguntado: 

  1. Como você reage com gritos do salmista de ajuda? 
  2. Onde você se vê de forma semelhante em necessidade de Deus? 
  3. Que aspectos da sua vida está dirigindo você a procurar prazer no Pai?

Oração final: descendo para o coração
Após o seu tempo de discussão e reflexão, é hora da oração em conjunto. Um ótimo exercício para a nossa vida de oração é aprender a reformular e depois orar o salmo em voz alta. Se revezam fazendo isso, colocando a parte mais significativa ou aplicáveis ​​do salmo em suas próprias palavras e orando-lo ao nosso Pai. Use a linguagem do salmo e adicionar seus próprios pedidos, louvor e oração para os outros. (Este exercício vai ser um pouco estranho pela primeira vez ou duas, mas não desanime.)

Há de fato uma nova camada de coisas de Deus a serem desfrutadas  nesse padrão histórico de meditação: 

  1. Leitura Lenta 
  2. Meditação das Escrituras 
  3. Discussão ou reflexão em nível de coração e aplicação
  4. Profunda oração pessoal que nos aproxima de Deus e uns aos outros. 

Nosso mundo está em grande necessidade da Palavra, oração e comunhão de Deus, e podemos desfrutar de cada uma na meditação bíblica juntos.
Fonte: TGC – The Gospel Coalition

Adaptado por Alex Cosmo