Não gosto de crianças!

 Ilustração : Tiro. por Alex
 Já vi algumas pessoas dizerem exatamente como esse relato dessa pessoa que colhi da internet:

“- Não gosto de crianças! Isso mesmo, não gosto! Não se sintam com raiva de mim ou outro sentimento ruim, por que eu não vou maltratar ou xingar ou cometer qualquer outra maldade com crianças. Longe de mim, eu sou uma pessoa boa. Mas eu realmente não gosto de crianças, não tenho muita paciência. Não gosto dos mi mi mi delas, do choro, não gosto. E não, eu não quero ter filhos. Nunca quis ter.”

Talvez por gostarmos de crianças, posições assim sempre nos causaram muito espanto mas ultimamente, temos visto aumentar a quantidade de pessoas que ecoam esse mesmo posicionamento. 

Isso nos leva a uma série de questões tipo: – Seria isso “bom, correto e normal”? – Seria isso uma posição a ser admitida como coerente com a vida humana? – Deve-se combater um sentimento assim dentro de nós ou simplesmente “nos aceitar” assim? -Devem os campos do prazer individual, dos gostos e preferências pessoais  se tornarem os mais influentes no modo como construímos a vida e tomamos decisões? 

Uma declaração assim pode esconder raízes mais profundas e expor um modelo de vida que se pretende viver. A quantidade de homens e mulheres que apesar de gerar não assumiram de fato a dedicação sacrificial de vida para casarem-se e/ou criar seus filhos é enorme.  A convivência com uma criança desperta em homens e ainda mais nas mulheres traços profundos da ordem criacional no que diz respeito a paternidade e maternidade. Crianças despertam os instintos de proteção e cuidado. O choro delas nos atravessa de um lado a outro como prioridade a atender. Crianças apelam para nossa maturidade emocional, para nossa paciência e tolerância. Crianças nos arrancam, querendo nós ou não de uma vida centrada em nós mesmos exigindo dedicação. Crianças exigem mais de nós do que podem nos oferecer no complicado jogo dos interesses desse mundo caído. Ou seja, confronta demais o modelo do viver só para si. Jesus disse: – Deixem vir a mim as criancinhas e não as impeçam…

Salvos por Cristo hoje tentamos seguí-lo. Falhamos muito mas Ele sempre nos levanta. Consideramos sua a pessoa , seu caráter e sua palavra como elementos pelos quais procuramos, com ajuda do seu Espírito que habita em nós, viver e balisar nossa vida, julgar nossos pensamentos, emoções e atitudes avaliando se estamos num caminho certo ou não. Essa reflexão surgiu de uma leitura do evangelho: 

“Levantou-se entre eles uma discussão sobre qual deles seria o maior. Mas Jesus, sabendo o que se lhes passava no coração, tomou uma criança, colocou-a junto a si e lhes disse: Quem receber esta criança em meu nome a mim me recebe; e quem receber a mim recebe aquele que me enviou; porque aquele que entre vós for o menor de todos, esse é que é grande.” Lucas 9:46-48

Jesus disse que quem receber uma criança em nome dele a ele recebe. Para quem não entende, quando Jesus diz “em meu nome” significa: como eu faço, nos meus moldes, conforme o meu caráter e minha vontade. Somos extremamente egoístas e orgulhosos em nossa natureza pecaminosa. Esse é o elemento básico que provoca nossa intolerância com uma criança, com o mais fraco, com o que consideramos menor que nós. Nosso desejo de ser grande, de ser maior ou melhor, nossa busca desenfreada pela prioridade  de nossos interesses e de nossa vontade são uma forma corrompida do amor para o qual Deus nos criou. Significa que precisamos nos arrepender e sermos transformados pela renovação do nosso entendimento sobre as coisas conforme a imagem do seu filho Jesus . 

Claro, não podemos esquecer  que existem situações de impedimento do exercício biológico genitor: homens e mulheres estéreis, ou os que foram chamados ao celibato dedicando-se  a  uma causa divina específica, prisioneiros de guerra e vítimas de  castração etc.  Ainda assim nenhum desses casos, deve ser justificativa para que o sentimentos de paternidade ou maternidade e de cuidado afetivo com as crianças não sejam cultivados e estimulados. Seja adotando uma criança, ou exercendo esse amor com crianças que estão no contexto de convivência, sigamos o exemplo do próprio Jesus e o seu amor adotivo. 

Estamos navegando  em meio a ondas ideológicas, filosóficas e religiosas  que provocam e influenciam a vida em sociedade, sem ter necessariamente o compromisso com o bem comum e a vida. Estamos carregados de muitas dessas influências sem percebermos ou sob a capa cultural. “- Não gosto de crianças!” – afirmação que parece simples mas que merece ser questionada sobre sua origem.   Quando palavras assim se multiplicam, podem ser o sinal de sentimentos e comportamentos nocivos, que ao ser reverberados em no meio de um povo, podem se tornar uma prática comum e até uma cultura tradicional como aconteceu em outras comunidades humanas que chegaram a ponto de abertamente exterminar as crianças, os velhos, as mulheres, os deficientes, os de uma etnia, religião etc. Sentimentos assim devem ser vencidos dentro de nós pelo amor que excede e ajusta o gostar. 

Em uma leitura recente que fizemos juntos de um blog , vimos que pesquisas afirmam que:

A negligência é um dos tipos abuso mais comum cometidos para com as crianças. 

Nesses casos os pais são os autores principais e muitas vezes não se dão conta do que fazem, e de que abrem portas pra outros tipos de abuso. A principal consequências desse tipo de abuso é o bloqueio do desenvolvimento cerebral cognitivo da criança. Uma criança, no decorrer de sua infância, precisa de pelo menos um relacionamento estável com um adulto que possa dar a ela a devida atenção, carinho  e dedicação para que tenha resposta às suas questões ou alguém que as encaminhe. 

Ensina a criança no caminho em que deve andar, e, ainda quando for velho, não se desviará dele. Provérbios 22:6

Interessante nessa passagem bíblica: no caminho e não o caminho. Uma criança, desde o momento que é concebida no ventre materno, mexerá completamente com a vida e as prioridades de todos,  exigirá dedicação integral de uma mãe, de um pai e a atenção prioritária de quem estiver em volta. É exatamente disso  de que fugimos e temos tanta rejeição: de qualquer coisa que retire nosso prazer, preferências e vontades individuais da escala máxima de prioridade de nossa  vida. 

“- Mas o anjo lhe disse: Maria, não temas; porque achaste graça diante de Deus. Eis que conceberás e darás à luz um filho, a quem chamarás pelo nome de Jesus… -Então, disse Maria: Aqui está a serva do Senhor; que se cumpra em mim conforme a tua palavra. E o anjo se ausentou dela.” Lucas 1.26-38

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